Belmiro Rosinha, natural de Vale de Espinho, é o auto destes versos intitulados «Puema dos Contrabandistas».

Puema dos Contrabandistas

Ó lua que vais tão alta
Diz a quem tu alumias
Alumia os contrabandistas
Que não podem andar de dia
A vida de um contrabandista
É uma vida amargurada
Passa os dias a trabalhar
Chega o dia ai sem nada
«Carregos» de António CabanasAo passar a ribeira
Os guardas saltam ao caminho
Coitado do contrabandista
Fica sem o carreguinho
Corre corre sem parar
Com os sapatos na mão
Os guardas disparam a arma
Atira o carrego ao chão
Os filhos á sua espera
Pela madrugada
Todos lhe pedem pão
Vira os bolsos não tem nada
Belmiro Rosinha

O meu bem-haja a Belmiro Rosinha pelo poema que quis partilhar com todos os raianos e peço desculpa por me intrometer no final mas… Sinto, a cada passo, que temos medo do nosso passado. Os contrabandistas raianos são outra das nossas grandes marcas. O dialecto quadrazenho, o jogo do truco, os atalhos, as estórias, estão a perder-se pouco a pouco. Felizmente vão aparecendo, aqui e ali, documentos escritos, valiosos contributos para resguardar esta memória colectiva do nosso povo. O meu avô foi contrabandista – dos tempos do volfrâmio ao que me disseram – mas pouco mais sei. Falta cumprir-se a memória física do nosso povo e da nossa dura caminhada. A marca do «contrabando» é valiosa. Pouco ou nada temos feito para a divulgar e promover.
jcl

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