É um título, algo, estranho, mas é de propósito, para nos chamar a atenção. Onde é que já se viu, Açorianos a pegar ao Forcão? Com todo o respeito que nos merecem, nada temos contra os Açorianos ou outros.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaNão se percebe muito bem, nem o que estará por trás desta iniciativa e os seus intuitos, como pode haver gente do Sabugal, que tenha a ousadia de ir treinar os Açorianos para pegar ao Forcão, dando de mão beijada, uma tradição que é só nossa, da Raia do Concelho.
Ao longo destes últimos 30 anos, a Capeia foi trazida para Lisboa e outras localidades, nunca abdicando o pessoal do Concelho, de desempenhar as suas funções de pegar ao Forcão, dando visibilidade e alguma propaganda à nossa região, acrescido de inúmeras reportagens televisivas, que reforçaram e deram mais projecção ao Sabugal e às suas tradições.
É evidente, que também se pode levar o Forcão aos Açores, porque não? Mas com os arraianos a assumirem o seu papel de pegadores ao Forcão, tal como pelos sítios, por onde este já se passeou e exibiu, sem que daí venha algum mal ao Mundo, antes pelo contrário, como todos estarão de acordo.
Enquanto este imbróglio não tiver uma solução, se olharmos para o reverso da questão e, por muito que nos custe, em qualquer zona do País onde, eventualmente, algum arraiano do Sabugal se encontre a viver, pode recriar a tradição do Forcão. Quem tem poder para o impedir, neste momento? Até lhe podem chamar outro nome qualquer, deixando de colidir com o nosso nome, embora a essência seja a mesma. As verdades são para ser ditas, doa a quem doer e, a nós dói-nos imenso, seguramente.
Infelizmente, o que existe na nossa Raia, como em outras regiões, é que muitos falam, outros tantos sabem e percebem de tudo, deixando correr o marfim, não se preocupando com o que interessa, mas quando acontecem estes imprevistos, o que é que temos? Uma mão vazia e outra, cheia de nada. Há muita gente, que só quer ser «pai de filhos bonitos», sem nada fazerem para isso.
Há uns anos atrás, um anterior Presidente da Casa do Concelho do Sabugal, em Lisboa, o Dr. Luís Nobre Leitão tentou iniciar um processo de registar a marca Forcão, para que não se corressem riscos desnecessários, que agora alguém tenta desbaratar do Concelho, a título gratuito.
Manifestámos todo o nosso apoio a essa medida, mas com a condição, de conjugar o registo da marca, em conjunto com as Aldeias arraianas com mais tradição do Forcão, como não podia deixar de ser, mas, por isto, por aquilo ou por falta de apoio adequado, esse processo não foi avante.
Em Agosto de 2008, no Encerro da Lageosa, este mesmo assunto foi abordado por este vosso amigo, com o Professor José Manuel, dos Foios, acompanhados do saudoso amigo Amândio Rosa e também do amigo espanhol, Tomás Acosta Piriz de Naves Frias, chegando, facilmente à conclusão, que as Aldeias do Forcão deveriam reunir e conseguir um entendimento, que não se afigura difícil, no sentido de registar a marca Forcão e, quanto mais depressa melhor.
Estas opiniões tiveram também a ver, com alguma falta de qualidade e desvirtuamento do Forcão em algumas Aldeias do Concelho, sejamos francos, muitos o comentam em surdina, mas pouca coragem têm, para dar a cara, ou tomar posição pública, não que se pretendesse limitar algo, longe disso, antes sim, porfiar pela qualidade das Capeias e do Forcão, nas diversas povoações.
Não estou bem seguro, mas penso que o Zé Manel ficou de sensibilizar os Srs. Presidentes de Junta de Freguesia para este assunto, devido à sua proximidade, disponibilidade e fácil contacto, enquanto autarca residente no Concelho. Desconheço, nesta altura, se houve algum andamento deste processo de intenção, o Zé Manel corrigir-me-á, se estiver equivocado.
É imperioso que as Juntas de Freguesia da Raia e algumas Associações da zona, as mais representativas da Capeia e do Forcão, se encontrem, debatendo a fundo este problema, juntamente com alguns aficionados presentes nas Aldeias, eventualmente, com o apoio da Câmara Municipal do Sabugal, chegando a uma decisão, que proteja as nossas tradições da Capeia e do Forcão.
Conhecida a notícia, felizmente que já há várias Associações arraianas em campo, a trabalhar afincadamente, para tentar uma resolução, em favor das nossas tradições.
Não é de bom-tom, deixarmos que outros usurpem e se apropriem de uma tradição única no Mundo, que só ao nosso Concelho pertence de direito.
Os verdadeiros arraianos e a grande maioria do Concelho do Sabugal nunca vão perdoar tamanha traição.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

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