Está patente ao público no Museu do Sabugal (sala de exposições temporárias), uma exposição intitulada Sabores da Nossa Terra. Visitei-a, gostei, e enquanto a visitava, ela ia-me mostrando com toda a clareza e evidência que a tradição é algo que está na nossa memória colectiva como povo, é algo que nos identifica culturalmente.

António EmidioSe verificarmos, tem-se assistido nos últimos anos a um grande renascimento da tradição, e porquê? Será que a modernidade é que trouxe este movimento até ao passado? Pessoalmente acredito que tenha sido a Globalização Neoliberal, senão vejamos: se o leitor(a) passear por uma rua de S. Francisco, Lisboa, Cairo, ou Camberra, encontrará os mesmos automóveis, os mesmos telemóveis com os mesmos toques, as montras mostrando os mesmos artigos das mesmas marcas, e até a mesma publicidade aos mesmos produtos. Vive-se num Clima de «igualdade», as tecnologias estão ao alcance de todos, a comunicação social «iguala-nos», o pobre vê os mesmos programas de televisão que vê o rico, o culto lê os mesmos jornais que lê o não culto, etc. etc..
Numa «igualdade» destas os povos necessitam de se diferenciar entre eles, vão então procurar essa diferença ao passado, às suas tradições. Que significado tem um encerro e uma capeia da nossa terra para um sueco? Penso que nenhum.
Com razão ou sem ela digo que é esta Globalização Neoliberal que obriga a uma resistência dos povos na tentativa de não lhes destruírem a sua cultura e a sua religião. A globalização não tem, nem lhe interessa, a Cultura, a Tradição, a Religião, a Família, a História, e os Valores, não tem espírito, tudo mercantiliza.
Não é preciso pôr de parte por completo a tradição para se ser moderno. A modernização equilibrada e sustentável, nasce de uma reinterpretação da tradição.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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