O cerimonial da Sentença do Galo no Domingo Gordo de Carnaval é um ritual que se perde na memória dos de Ruivós. Acto bárbaro para uns, momento de convívio em dia de vale-tudo para outros, a Sentença do Galo reuniu os ruivosenses em mais uma jornada de convívio e confraternização.

GansoGaloOs residentes (facilmente substituível por resistentes) em Ruivós voltaram a encenar no Domingo Gordo a Sentença do Galo. Acto eventualmente chocante para as mentalidades mais urbanas ou mais sensíveis ou fazendo parte das leis da tradição e da vida para outros.
Resumindo, na tarde de domingo de Carnaval, enquanto se inscrevem os participantes o galo é enterrado no largo central só com o bico e a crista de fora. Depois, de olhos vendados e um cajado na mão, são obrigados a rodopiar até perderem o «Norte». Apoiados, aos gritos, pelas indicações de uns e por falsas dicas de outros, os concorrentes lá vão andando até conseguirem encontrar e tocar a cabeça do mais que sentenciado galo.
O domingo terminou no Salão de Festas local onde a malta, em alegre confraternização, saboreou canja de galinha e carne assada apaladadas pelas cozinheiras Isabel, Luísa, Nazaré, Teresa, Lurdes, Glória e companhia. O grelhador esteve a cargo do Ricardo e do Manuel Leitão. Jogar uma suecada fez, igualmente, parte da ementa.
No entanto, este ano a Sentença do Galo em Ruivós teve uma particularidade inédita que vamos partilhar com todos. Os galos da aldeia conseguiram esconder-se todos e por mais que procurassem nas capoeiras e nos currais não conseguiram vislumbrar nenhum. Mas a festa tinha que se fazer e… à falta de galo foi contratado um ganso que, disfarçado com uma crista, ocupou o papel principal de uma peça que não estava nos seus planos representar. A mudança do actor principal, mais duro e mais prolongado no tempo de cozedura, «obrigou» a que o povo de Ruivós se reunisse novamente este sábado, 28 de Fevereiro, para degustar o já famoso «GansoGalo» (até parece que querem concorrer com a VacaGalo do Jarmelo do Agostinho da Silva). A refeição, que incluiu caldo de baginas, teve como convidado especial, o padre Hélder, que se juntou aos seus paroquianos confirmando os sentimentos de proximidade, simpatia e saudável brincadeira que é cada vez mais a sua imagem de marca. A imagem de um pastor que não fica no alto do monte a supervisionar o rebanho e que prefere andar no meio das suas ovelhas. A imagem de um padre do século XXI.
As obras de renovação do telhado do Salão de Festas e da sede da Associação dos Amigos de Ruivós, com o apoio da Câmara Municipal do Sabugal, estão terminadas. A sede da Associação passará a funcionar num gabinete fechado no interior do Salão de Festas. Três bonitas placas trabalhadas em madeira pelo Ricardo Leitão indicam na parede por cima da porta «Associação dos Amigos de Ruivós».
A inauguração da sede da Associação deverá coincidir com a Caminhada pelo Interior do mês de Maio prevista para a freguesia de Ruivós.
jcl