Um poema para desanuviar durante o Carnaval…

João ValenteA Elvira Polónia,
Que me cria como a um filho que nunca teve,
Foi quem me desmamou.
Lembra-me como se ainda fosse hoje:
Eu de ano e meio,
Deixou-me minha mãe com a Elvira
Para me tirar o vício da mama.
Passei com ela uma semana
E de noite,
Quando lhe levantava a camisa
À procura da mama
A Elvira apontando a grande janela aos pés da cama,
Por onde entrava a lua cheia.
Na sombra do quarto,
Assustava-me:
– Olha o cão, joão! Olha o cão!
Aninhava-me então à Elvira,
Medroso,
Esquecido da mama;
E ela, abraçando-me,
Sossegava-me:
– Já se foi João… Já se foi…

Lembra-me como ainda se fosse hoje!
Eu de ano e meio,
E a Elvira abraçando-me e apontando a grande janela aos pés da cama,
Por onde entrava a lua cheia
Na sombra do quarto:
– Olha o cão, joão! Olha o cão!
Ao passar naquela rua e vendo a janela despregada
– lembrou-me como ainda se fosse hoje –
Eu de ano e meio,
A Elvira abraçando-me e apontando a grande janela aos pés da cama,
Por onde entrava a lua cheia,
Nas sombras da minha infância.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

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