You are currently browsing the daily archive for Sábado, 14 Fevereiro, 2009.

Por vezes a natureza escancara as portas e diz-nos que alguma coisa está mal. Soubemos assim que as vacas não comem carne… coisa extraordinária.

António MouraOs casos de mortalidade bovina dos últimos dias, em ambiente tão fortemente diminuído em termos de diversidade biológica, como são as pastagens extensivas, não nos levaria à partida a suspeitar de uma queixa no livro de reclamações da mãe natureza.
A Leptospirose é uma doença bacteriana que se transmite por meio aquoso. A chuva dos últimos tempos ajudou a manter viva a bactéria, enquanto as baixas populações de corujas e mochos, principais controladores das populações de ratos, também não ajudaram por via indirecta ao controlo da transmissão da bactéria.
Nalguns países, em culturas agrícolas sensíveis, o controlo de roedores é efectuado com o auxilio de Corujas das Torres, colocadas em ninhos, espalhados em rede. Os resultados obtidos permitem manter sobre controlo, ratos e os ratinhos.
Na verdade as nossas pastagens não são assim tão extensivas, o que me leva a suspeitar do impacto negativo que advém do grande número de caçadores com fraca ou nula consciência ecológica. A imagem dominante associada ao caçador, parece ser a do indivíduo que deambula ansioso por matar, mais do que por saborear a natureza. Talvez isso explique também o estado embrionário e até inexistente de outras culturas de caça, que nalguns países estão organizadas e regulamentadas, como são a falcoaria desportiva e a caça com arco e flecha.
Vacas na Serra da MalcataEm França a ASCA – Associação desportiva de caça com arco, festejou o seu 40.º aniversário.
Nós por cá, ainda estamos na fase de entender e aceitar a importância da diversidade biológica. A natureza é tanto mais saudável quanto mais mecanismos biológicos interagirem no seu meio. O mesmo se aplica a cada ser individualmente, quanto maior a sua variedade genética, maior a sua resistência a doenças. Uma última ilustração que em adolescente ouvia na aldeia, e que nos revela como espécie Darwiniana, é a de que «elas preferem os de fora».
O respeito pela natureza deve ser transversal na sociedade, e não apenas limitado a grupos que vivendo sobretudo em meio urbano, não têm grande impacto no mundo rural. As áreas protegidas têm um importante papel de consciencialização, mas ele não pode frutificar sem a participação e envolvimento das populações em projectos de teor ambiental através dos quais se sintam elas próprias valorizadas.

Veja a página da ASCA aqui.
António Moura

Anúncios

Por brincadeira costumava-se dizer que eu tinha nascido no toro de uma couve. Sei que assim não foi mas até podia ter sido. Ainda hoje existe a casa onde nasci e é com alguma nostalgia que para ela olho cada vez que por lá passo. Contudo, terão sido muitas as vezes que à sombra de uma couve fui pousado enquanto minha mãe tratava das terras.


Kim Tomé (Tutatux)Fui para Lisboa porque os meus pais tiveram que daqui sair em busca de melhor sustento, já lá vão 49 anos.
Quando «vínhamos à terra» o meu coração palpitava de ansiedade todo o caminho que durava muitas horas.
E à chegada esperava-nos a tal sopa de baginas ou o caldo borraçudo (espero que se escreva assim) que a minha tia tinha para nós feito com tanto carinho e saudade.
E aí, chegava o sabor da liberdade de ser menino que na cidade me era limitada entre prédios.
Saltei muros, andei aos ninhos, chinchei fruta, viajei pelo mundo nos estadulhos dos carros de bois, bebi água pura e fresca das fontes, toureei cabras e ovelhas, mergulhei no Côa tentando apanhar os peixes, inventei histórias de Mouros e Cristãos à sombra dos castelos com lutas de soldados feitos com batatas e alguns paus. Vivi naqueles parcos dias que por ano cá passávamos, a liberdade de ser menino numa terra de encantar onde todos eram tios e tias.
Cresci na cidade com os olhos postos nestas terras onde em menino senti o cheiro de liberdade e os sonhos se criavam fácil.
Ligado às tecnologias cedo me entusiasmei por o que mais tarde se viria a chamar Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), assisti ao nascimento de muitas tecnologias sem as quais hoje não seria possível viver, utilizando-as desde os seus primórdios.
Sendo um entusiasta das tecnologias da comunicação desde os anos 70 do século passado, acompanhei e aprendi muito ao longo dos anos tendo hoje um conhecimento que, sem falsa modéstia, considero razoável nestas matérias.
Sabendo das dificuldades por que a minha terra está a passar em termos de desertificação, e das dificuldades reconhecidas em termos de acesso às TIC, farto da cidade, admiti que poderia de algum modo contribuir modestamente para contrariar a tendência.
Foi inspirado pela filosofia da Free Software Fondation (FSF), pelo espirito do software open source, e pelos objectivos traçados na Cimeira de Lisboa quanto à utilização das TIC para a Europa, que decidi voltar à MINHA TERRA e contribuir com os meus recursos e saber para contrariar a tendência de morte anunciada desta maravilhosa cultura e região. Estava consciente que o meu trabalho seria sempre uma modesta contribuição, que as dificuldades iam ser muitas, e que seria mais fácil obter lucros nas cidades, mas farto da cidade estava eu.
Acreditava que NA MINHA TERRA poderia ser mais útil e ajudar a contrariar a tendência que acreditava eu ser resultado das politicas centralistas do poder de Lisboa.
Estava consciente da modéstia da minha contribuição, mas também acredito que é da modesta contribuição de cada um que se conseguem resultados.
Para cumprir os objectivos procurei apoios no IEFP e outras entidades, onde me desmotivaram em vez de ajudar.
Determinado, decidi mesmo sem apoios, levar em frente a minha ideia e fazer uso apenas dos meus recursos avançar com o projecto. Acreditava eu que aqui havia pessoas que sabiam lutar por esta terra, como o tinham feito durante milhares de anos os nossos antepassados.
Enganei-me!
Aqueles que como eu saltaram muros, chincharam fruta, mergulharam nas aguas (então) límpidas do Côa e que hoje ocupam lugares de decisão, foram os que se mostraram mais incapazes de reconhecer o valor da proposta, causaram dificuldades e chegaram mesmo a boicotar iniciativas.
E aí, finalmente percebi as lágrimas nos olhos dos meus amigos que tenho visto partir por aqui não conseguirem viver.
E aí, finalmente percebi a tristeza de muitos que vem as suas famílias destroçadas pela necessidade de alguns partirem pelo mundo em busca de sobrevivência.
E aí percebi porque razão A MINHA TERRA E A MINHA CULTURA está a morrer, porque são os da terra que perderam a vontade e coragem, que durante milénios caracterizou esta gente ARRAIANA, de lutar para a manter.
Percebi que a causa está cá dentro não no poder centralista de Lisboa, que é cá dentro que se tomam as medidas certas ou erradas e, que é cá dentro, que as soluções tem que ser encontradas e postas em prática, unindo e não promovendo a discórdia e o autismo institucional.
Não são os tão proclamados 200 euros por nascimento que vão contribuir para contrariar a desertificação, não é mais um pavilhão polidesportivo que vai manter aqui os jovens, não é impedindo as empresas de se instalar que vai haver mais trabalho para os potenciais progenitores que vamos ter mais nascimentos.
Nasci numa terra onde o pó dos caminhos se metia nas narinas a caminho do rio nas quentes tardes de Verão, onde em cada Chão havia pessoas, onde os animais pastavam nos lameiros e onde não havia polidesportivos nem calçadas nas ruas.
Hoje regressado vejo caminhos calcetados, estradas alcatroadas, polidesportivos (a mais), piscinas, mas há algo que não vejo, as pessoas, as galinhas, os burros, as vacas.
Vejo desânimo nos olhos das pessoas, enquanto outros se vangloriam em almoços autistas, das suas medidas que apenas tem promovido a morte desta minha gente, que é obrigada a partir para outras terras para continuar a ter algo com que matar a fome.
E há algo que continuo a ver como há 50 anos, as pessoas a partir com as lágrimas nos olhos.
Em 50 anos não fomos capazes de ter na nossa terra, alguém verdadeiramente empenhado em reconstruir a possibilidade dos transcudanos poderem viver e ser felizes nesta NOSSA TERRA.
Não será tempo de nós os que, por opção própria ou por acaso do destino, queremos aqui ser felizes, dizermos o que nos vai na alma sem medo das represálias que os que detem o poder nos possam causar?
Eu tenho menos receio das represálias desses que destruiram a MINHA TERRA, do que das políticas absurdas que todos os dias destroem vidas e negócios das minhas gentes. Por isso levanto conscientemente a minha voz contra o que entendo serem medidas suicidas.
Por isso trabalho 18 horas e mais por dia como muitos outros, para poder contribuir modesta e EFECTIVAMENTE para o progresso da terra que me viu nascer.
Não percebo como as pessoas que detiveram o poder desde há 50 anos se podem sentir orgulhosos das suas decisões, e ver as famílias dos seus amigos partir com lágrimas da sua terra devido às suas decisões. Assim como não percebo que hoje se continue a governar olhando para o umbigo em vez de olhar para as pessoas.
Não será tempo de mudar atitudes?
Não será tempo de as pessoas perderem o medo e lutarem pelo seu direito de ser felizes na terra que os viu nascer e que amam?
«O Bardo», opinião de Kim Tomé

kimtome@gmail.com

Janeiro é mês de festa em Ruivós. Todos os anos, no dia 25 deste mês, a nossa pequena grande aldeia une esforços entre todos os filhos da terra e prepara com grande fervor e galanteio uma festa cujo início se perde no tempo e que visa celebrar a conversão à Cristandade do Apóstolo São Paulo.

JOAQUIM SAPINHO

DESTE LADO DA RESSURREIÇÃO
Em exibição nos cinemas UCI

Deste Lado da Ressurreição - Joaquim Sapinho - 2012 Clique para ampliar

Indique o seu endereço de email para subscrever este blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 835 outros seguidores

PUBLICIDADE

CARACOL REAL
Produtos Alimentares


Caracol Real - Produtos Alimentares - Cerdeira - Sabugal - Portugal Clique para visitar a Caracol Real


PUBLICIDADE

DOISPONTOCINCO
Vinhos de Belmonte


doispontocinco - vinhos de belmonte Clique para visitar Vinhos de Belmonte


CAPEIA ARRAIANA

PRÉMIO LITERÁRIO 2011
Blogue Capeia Arraiana
Agrupamento Escolas Sabugal

Prémio Literário Capeia Arraiana / Agrupamento Escolas Sabugal - 2011 Clique para ampliar

BIG MAT SABUGAL

BigMat - Sabugal

ELECTROCÔA

Electrocôa - Sabugal

TALHO MINIPREÇO

Talho Minipreço - Sabugal



FACEBOOK – CAPEIA ARRAIANA

Blogue Capeia Arraiana no Facebook Clique para ver a página

Já estamos no Facebook


31 Maio 2011: 5000 Amigos.


ASSOCIAÇÃO FUTEBOL GUARDA

ASSOCIAÇÃO FUTEBOL GUARDA

ESCOLHAS CAPEIA ARRAIANA

Livros em Destaque - Escolha Capeia Arraiana
Memórias do Rock Português - 2.º Volume - João Aristides Duarte

Autor: João Aristides Duarte
Edição: Autor
Venda: Casa do Castelo (Sabugal)
e: akapunkrural@gmail.com
Apoio: Capeia Arraiana



Guia Turístico Aldeias Históricas de Portugal

Autor: Susana Falhas
Edição: Olho de Turista
Venda: Casa do Castelo (Sabugal)



Música em Destaque - Escolha Capeia Arraiana
Cicatrizando

Autor: Américo Rodrigues
Capa: Cicatrizando
Tema: Acção Poética e Sonora
Venda: Casa do Castelo (Sabugal)



SABUGAL – BARES

BRAVO'S BAR
Tó de Ruivós

Bravo's Bar - Sabugal - Tó de Ruivós

LA CABAÑA
Bino de Alfaiates

La Cabaña - Alfaiates - Sabugal


AGÊNCIA VIAGENS ON-LINE

CERCAL – MILFONTES



FPCG – ACTIVIDADES

FEDERAÇÃO PORTUGUESA
CONFRARIAS GASTRONÓMICAS


FPCG-Federação Portuguesa Confrarias Gastronómicas - Destaques
FPCG-Federação Portuguesa Confrarias Gastronómicas Clique para visitar

SABUGAL

CONFRARIA DO BUCHO RAIANO
II Capítulo
e Cerimónia de Entronização
5 de Março de 2011


Confraria do Bucho Raiano  Sabugal Clique aqui
para ler os artigos relacionados

Contacto
confrariabuchoraiano@gmail.com


VILA NOVA DE POIARES

CONFRARIA DA CHANFANA

Confraria da Chanfana - Vila Nova de Poiares Clique para visitar



OLIVEIRA DO HOSPITAL

CONFRARIA DO QUEIJO
SERRA DA ESTRELA


Confraria do Queijo Serra da Estrela - Oliveira do Hospital - Coimbra Clique para visitar



CÃO RAÇA SERRA DA ESTRELA

APCSE
Associação Cão Serra da Estrela

Clique para visitar a página oficial


SORTELHA
Confraria Cão Serra da Estrela

Confraria do Cão da Serra da Estrela - Sortelha - Guarda Clique para ampliar



SABUGAL

CASA DO CASTELO
Largo do Castelo do Sabugal


Casa do Castelo


CALENDÁRIO

Fevereiro 2009
S T Q Q S S D
« Jan   Mar »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
232425262728  

Arquivos

CATEGORIAS

VISITANTES ON-LINE

Hits - Estatísticas

  • 3.106.806 páginas lidas

PAGERANK – CAPEIA ARRAIANA

BLOGOSFERA

CALENDÁRIO CAPEIAS 2012

BLOGUES – BANDAS MÚSICA

SOC. FILARM. BENDADENSE
Bendada - Sabugal

BANDA FILARM. CASEGUENSE
Casegas - Covilhã


BLOGUES – DESPORTO

SPORTING CLUBE SABUGAL
Presidente: Carlos Janela

CICLISMO SERRA ESTRELA
Sérgio Gomes

KARATE GUARDA
Rui Jerónimo

BLOGUES RECOMENDADOS

A DONA DE CASA PERFEITA
Mónica Duarte

31 DA ARMADA
Rodrigo Moita de Deus

A PÁGINA DO ZÉ DA GUARDA
Crespo de Carvalho

ALVEITE GRANDE
Luís Ferreira

ARRASTÃO
Daniel Oliveira

CAFÉ PORTUGAL
Rui Dias José

CICLISMO SERRA ESTRELA
Sérgio Paulo Gomes

FANFARRA SACABUXA
Castanheira (Guarda)

GENTES DE BELMONTE
Investigador J.P.

CAFÉ MONDEGO
Américo Rodrigues

CCSR BAIRRO DA LUZ
Alexandre Pires

CORREIO DA GUARDA
Hélder Sequeira

CRÓNICAS DO ROCHEDO
Carlos Barbosa de Oliveira

GUARDA NOCTURNA
António Godinho Gil

JOGO DE SOMBRAS
Rui Isidro

MARMELEIRO
Francisco Barbeira

NA ROTA DAS PEDRAS
Célio Rolinho

O EGITANIENSE
Manuel Ramos (vários)

PADRE CÉSAR CRUZ
Religião Raiana

PEDRO AFONSO
Fotografia

PENAMACOR... SEMPRE!
Júlio Romão Machado

POR TERRAS DE RIBACÔA
Paulo Damasceno

PORTUGAL E OS JUDEUS
Jorge Martins

PORTUGAL NOTÁVEL
Carlos Castela

REGIONALIZAÇÃO
António Felizes/Afonso Miguel

ROCK EM PORTUGAL
Aristides Duarte

SOBRE O RISCO
Manuel Poppe

TMG
Teatro Municipal da Guarda

TUTATUX
Joaquim Tomé (fotografia)

ROTA DO CONTRABANDO
Vale da Mula


ENCONTRO DE BLOGUES NA BEIRA

ALDEIA DA MINHA VIDA
Susana Falhas

ALDEIA DE CABEÇA - SEIA
José Pinto

CARVALHAL DO SAPO
Acácio Moreira

CORTECEGA
Eugénia Santa Cruz

DOUROFOTOS
Fernando Peneiras

O ESPAÇO DO PINHAS
Nuno Pinheiro

OCEANO DE PALAVRAS
Luís Silva

PASSADO DE PEDRA
Graça Ferreira



FACEBOOK – BLOGUES

Anúncios