O presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Manuel Rito Alves, entendeu clarificar opiniões e comentários publicados no Capeia Arraiana sobre a ausência de uma representação oficial do concelho do Sabugal na BTL-Feira de Turismo de Lisboa que decorreu no passado mês de Janeiro. A estratégia das grandes opções do orçamento para 2009 do executivo camarário é, igualmente, «decifrada» neste esclarecimento público. «Depois dos grandes investimentos em infra-estruturas estão reunidas as condições para o próximo executivo apostar fortemente no turismo» é a convicção e o conselho do actual presidente sabugalense.

Manuel Rito Alves«A grande maioria dos opinadores, ou por desconhecimento, ou com segundas intenções manipula e descontextualiza os factos produzindo afirmações que não correspondem à verdade ou não dizem a verdade toda.
Senão vejamos:
1 – Sobre o orçamento municipal 2009 foi recentemente feita uma análise cujo enfoque é a despesa “esquecendo” o escriba que os documentos previsionais são além do orçamento, o “Plano de Actividades”, que inclui as “Grandes opções do plano” o “ plano plurianual de investimentos” e as “Actividades mais relevantes”.
“Esquece”, ou não sabe, ainda que a classificação da despesa é feita de acordo com o classificador aprovado pelo Dec.-Lei n.º 26/2002 de 14/02, que não sendo exaustivo não classifica todos os investimentos dos municípios, caindo pois alguns investimentos na classificação “outros”.
No caso em apreço todas as despesas classificadas em “outros” que correspondam a despesa de capital e a grande maioria das correntes têm correspondência com as grandes opções do plano e se a preocupação de quem escreve fosse informar era fácil chegar à conclusão que em “outros” estão por exemplo 4.265.342.00 Euros para o Balneário do Cró, 480.939.00 Euros para a Zona de Localização Empresarial do Alto de Espinhal, 701.029.00 Euros para a Recuperação das Margens do Côa – Entre Pontes e 1.470.476 Euros para as Juntas de Freguesia fazerem investimentos próprios, 407.500.00 Euros para Equipamento para o Ensino Básico e Pré-escolar, Sistemas de Captação de Água, Mobiliário Urbano, Sistemas de Rega Automática, etc.
Quanto aos transportes escolares também se esquece que o concelho tem a dimensão que todos sabemos (cem povoações) e que a Câmara transporta todos os alunos de todos os graus de ensino, tendo sido encerradas por opção política do poder central várias escolas do 1º Ciclo.
Esquece ainda que nos termos da lei as despesas com pessoal que ao contrário do que afirma incluem os eleitos municipais podem ir até 60% da receita corrente e neste orçamento atingem somente 34,94% da despesa corrente, etc, etc.
2 – Quanto à participação da Câmara em “PROVERE” lamenta-se o facto de não estar no Buy-nature e “esquece-se” que a Câmara participa em três “PROVERE”: Um com a Associação das Termas de Portugal e todos os municípios da região Centro com termas onde se propõe a construção do Balneário do Cró, outros com a Associação de Municípios do Vale do Côa onde se propõe a Ligação à A23, a Infra-estruturação da Barragem, o Parque de Campismo, etc, e outro com a Associação das Aldeias Históricas onde se propõe a Iluminação Monumental, a Casa da Cultura, e o arranjo do espaço do Rancho em Sortelha e a Casa da Música na Bendada.
Veremos quais são aprovados.
3 – Finalmente o que é apontado como o pecado capital da gestão camarária: Não ter participado com Stand próprio na BTL.
Enquadremos a questão: Sempre foi opinião deste executivo e dos dois executivos anteriores (liderado pelo Engenheiro Morgado) que o turismo pode ser um dos pilares de desenvolvimento do concelho do Sabugal, se funcionar intimamente ligado ao ambiente, à produção tradicional e às tradições.
Mas que pode ser contraproducente, promover turisticamente o concelho se não estiverem garantidas à partida uma série de pressupostos:
a) Território ambientalmente qualificado;
b) Infra-estruturas de acolhimento e lazer de qualidade (hotelaria, postos de turismo, museus, monumentos, etc);
c) Garantia de acesso a entretenimento organizado (passeios a pé, a cavalo, todo o terreno, BTT, slide, canoagem, paint ball, caça e pesca, Etc, Etc);
d) Capacidade de produção e venda de produtos tradicionais (gastronomia, agricultura e artesanato);
e) O convencimento da população em geral e das Instituições, Associações e comerciantes em particular do que atrás ficou dito.
Se assim não for corremos o risco de após a promoção virem os visitantes/turistas e por ficarem desiludidos, irem falar mal do concelho.
Ora é dos livros que uma pessoa a falar mal tem mais impacto do que dez a falar bem.
Assim temos optado por ir garantindo, à medida das possibilidades orçamentais, os pressupostos que são da nossa responsabilidade (e muito se faz nestas áreas desde estudos e projectos, infra-estruturas e requalificações urbanas em quase todas as freguesias, a auditórios e museus, polidesportivos, fornos, açudes e praias fluviais, Reservas de Caça, Equipas de Sapadores, postos de turismo, requalificação do Castelo e das aldeias acasteladas, feiras e exposições, circuitos gastronómicos, etc. etc.) e apoiando os agentes locais que nos têm solicitado, em todas as situações possíveis.
Quanto à participação em Feiras a opção tem sido por representação na Região onde estamos inseridos, quer na BTL, há muitos anos com a região de Turismo da Serra da Estrela, hoje pólo de turismo; quer na Intur em Valladolid onde desde há 6 ou 7 anos participámos com Penamacor, Alto Águeda e Serra da Gata, como Gata/Malcata (Terras do Lince).
Sendo opções discutíveis, como todas são, o que me apraz constatar é que quer os candidatos, quer os outros escribas que se dedicaram ao tema consideraram que já há capacidade instalada para promoção individual do concelho, o que é garantia de que o que foi feito, foi bem feito, quer institucionalmente quer a nível particular (em 1998 as camas turísticas não chegavam às 100, hoje são cerca de 300).
A nós parece-nos que ao nível do acesso a entretenimento organizado, de produção e venda de produtos tradicionais é do convencimento da população, ainda há muito a fazer e que o próximo mandato (ganhe quem ganhar), tem que ter um enfoque especial nestas questões, já que as infra-estruturas estão garantidas (executadas ou em execução) e o QREN, que infelizmente para o executivo e para o concelho tem dois anos de atraso, dirige os apoios em espaço rural exactamente para estas questões.
Aí sim, pensamos que estarão reunidas as condições para a promoção individual do concelho!
Dito isto parece-me que fica provado o que afirmei ao principio, ou seja que a preocupação destes comentadores não é informar. Isto cheira-me a pré campanha eleitoral e assim não vou responder a mais nenhum artigo de opinião que sobre a Câmara seja publicado.
Fico no entanto à disposição de todos os que antes de escrever se queiram informar sobre qualquer facto ou projecto que à Câmara Municipal do Sabugal diga respeito.
Manuel Rito Alves
Presidente da Câmara Municipal do Sabugal»

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