Bem sei que o concerto mais mítico na Rapoula do Côa foi o dos Xutos&Pontapés, em 1988. Por qualquer motivo que me escapa, não estive presente nesse concerto.

Joao Aristides DuarteO concerto de José Cid foi no dia 13 de Agosto de 2006. José Cid é um «dinossauro» das cantigas.
Quando este concerto teve lugar contava já 64 anos. Iniciou-se nos anos 50 no conjunto os Babies, em Coimbra, e passou pelo famoso Quarteto 1111, uma referência incontornável de toda a música portuguesa do século XX.
Foi um dos primeiros portugueses a cantar música Rock (na época conhecida como «yé yé»).
Ao contrário do que é, geralmente, dito não se pode atribuir a Rui Veloso a paternidade do Rock português. Se alguém é merecedor do título de «pai» do Rock português, só pode ser José Cid.
Foram inúmeras as suas participações em Festivais da Canção, com canções que toda a gente conhece.
Um álbum seu, intitulado «10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte», é considerado, mesmo a nível mundial, como um dos melhores de sempre do Rock sinfónico. Não consigo explicar porquê, mas José Cid sempre foi um cantor com quem me identifiquei. Conheço e sou capaz de cantarolar as letras de José Cid. Nunca consegui decorar a letra de «Jardins Proibidos», por exemplo que, quase toda a gente aponta como o paradigma de uma letra romântica, mas as letras de José Cid conseguem ficar-me na memória, bem como as melodias, bem simples, mas eficazes. José Cid é conhecido por declarações polémicas como estas: «Gostava que não reparassem só no mau (…). De qualquer forma, o meu pior é muito melhor do que o melhor do Tony Carreira.», em entrevista ao jornal Metro, 2006 ou «Não me mandem cuecas para o palco, eu não sou o Tony Carreira» – na Semana Académica da Universidade do Algarve, 07/05/2007. Após uma fase de um relativo apagamento, José Cid regressou em força, exactamente no ano em que aconteceu este concerto.
José Cid na Rapoula da CôaA banda que acompanhou José Cid neste concerto (com José Gonçalo, nas tecas e Mike Sergeant , na guitarra) não era a big band que actuou no espectáculo do artista, o ano passado, por ocasião da Festa da Europa, no Sabugal. Mas era quase a mesma.
O reportório que José Cid interpretou na Rapoula do Côa foi o habitual: «O Dia Em Que o Rei Fez Anos», «A Anita Não é Bonita», «Na Cabana Junto à Praia», «Ontem, Hoje e Amanhã», «Nasci P’ra Música», «A Rosa Que Te Dei», «Vinte Anos», etc, etc.
Para além destes temas mais conhecidos foram, ainda, interpretados «Rock Rural» (um tema de 1975), «A Lenda D’El Rei D. Sebastião» (do Quarteto 1111) e o tema «Mellotron, O Planeta Fantástico» (do tal disco «10.000 Anos Depois…»).
José Cid apresentou-se em boa forma física, com um lenço palestiniano ao pescoço e com uma voz que deixa muitos famosos a léguas.
Também interpretou um tema com reminiscências a flamenco, tendo usado o banco onde se sentou a tocar o piano para lhe bater com as mãos, utilizando-o como instrumento de percussão. No tema final, José Cid apelou à paz entre os homens, tendo referido que há muita gente que só quer vender armas e fazer a guerra.
O público presente gostou muito do espectáculo. Um dos melhores que alguma vez se realizou na Rapoula do Côa.
Nas imagens, um momento do concerto e o autor desta crónica com José Cid, nos bastidores, no final do concerto.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

Anúncios