Na noite de 24 de Janeiro, reuniram-se na Associação Cultural e Recreativa da Torre um conjunto de pessoas entre os 8 e os 70 anos de idade, munidos de acordeões, violas, pandeiretas e realejos. Afinaram as vozes e com pouca mestria, mas muita força de vontade, assim se iniciaram as cantorias e o cortejo.

As portas das habitações abriam-se com contentamento, enquanto o grupo assim cantava:

Boas festas, boas festas
Nós aqui as vamos dar
Janeiras na Torre Às senhoras desta casa
Se as quiserem aceitar

Somos os Jovens da Torre,
Foi Natal e agora Reis,
Vimos pedir as janeiras
E as esmolas vós dareis

Levante-se lá minha Senhora
Desse banco de cortiça
Venha dar as Janeiras
Ou morcela ou chouriça

A população respondeu com entusiasmo e oferendas, desde chouriços, morcelas, rebuçados, chocolates e até alguns Euros. Do Deus «Juno», a quem se deve os nome de «Janeiro», ninguém se lembrou, mas o espírito da mitologia romana devida ao mesmo, foi devidamente cumprida, pois as “Janeiras”alegraram o povo da Torre e é também muita a alegria de ver como nem sempre a tradição já não é o que era.
Roucos os cantores, mas com alegria na alma e vontade de repetir nos «Janeiros» vindouros, seguiram, então, os convivas e quem aos mesmos se juntou no cortejo, para a Associação, onde puderam saborear alguns dos petiscos dados, devidamente regados, mas já invocando outro Deus, este grego, «Baco» de seu nome.
A Associação agradece a toda a população da Torre.
José J. Amaral Marques

Anúncios