Olof Palme, se fosse vivo faria no dia 30 deste mês de Janeiro 82 anos. Foi líder do Partido Social Democrata da Suécia e primeiro ministro daquele país entre 1969 e 1976, sendo reeleito em 1982.

António EmidioOlof Palm foi assassinado em 28 de Fevereiro de 1986. Ele e o seu partido destacaram-se por serem os arquitectos do Estado de Bem-Estar, e puseram em prática o modelo social de desenvolvimento, (negaram-se a aceitar que o dinheiro fosse tudo, e o ser humano nada). Defendeu o Pacifismo e o Universalismo, criticou a desigualdade social, criticou as ditaduras, tanto de esquerda como de direita, criticou o apartheid na África do Sul, e a política externa norte-americana, com incidência sobre a guerra do Vietname.
Foi assassinado numa rua de Estocolmo. Até ao momento ninguém descobriu o autor, ou autores, do crime. Há uma hipótese que diz que foi assassinado por se opor ao neoliberalismo que nessa altura surgiu em grande força, e um político da envergadura de Olof Palme, amante da Social Democracia e do equilíbrio entre o Estado e o privado, era um enorme estorvo à nova teoria económica.
Olof PalmeA social-democracia Sueca, foi a referência de muitos políticos portugueses no pós 25 de Abril de 1974, principalmente de homens do PSD e do PS. Mas depressa a esqueceram para se converterem à liberdade do mercado e à economia desregulada, que para além de não ter regras também não tem moral. Os conversos, que se intitulam eufemisticamente de centro-esquerda, lançaram a maldição sobre o Estado. Conseguiram que se tornasse perverso e abjecto defender o Estado, e em vez disso montaram um Estado repressor, um Darwinismo social e cavaram cada vez mais o fosso entre ricos e pobres.
Soa a ridículo quando se fala em Justiça Social, Democracia e Humanismo, mas aplaudem-se frases como esta, lançada por um moderno político de centro-esquerda: «A liberdade de mercado e de empresa estão por cima dos desejos dos governos democráticos».
O ideal Social-Democracia/ Socialismo em Liberdade desapareceu, porque grandes estadistas como Olof Palme, e outros, foram substituídos por políticos medíocres que servem essencialmente para legitimar os mandamentos do poder económico, e só conseguem chegar ao poder se se tornarem títeres desse mesmo poder económico.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Anúncios