Solucionado o problema da renda, com o aluguer de dois quartos, conforme já descrevemos, levando a uma cisão de alguns elementos, havia que seguir em frente, apesar deste contratempo.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaComo a Casa nada tinha, teve que se improvisar nos primeiros tempos, devido à utilização antecipada do andar, conforme factos de escritos anteriores e, foi graças, mais uma vez, ao Dr. Seabra que se conseguiram os primeiros pertences, como mesas, cadeiras e o indispensável para as reuniões, iniciando-se uma campanha de angariação de mais alguns bens considerados importantes, tais como uma televisão, máquina de escrever, esta oferecida pelo Dr. Seabra e outros utensílios, que eram bem-vindos nesta fase, de pouco ou nada haver. Apenas a boa vontade tudo foi superando, já que dinheiro, apenas o das quotas anuais, 100 escudos, dos poucos sócios existentes, não chegando para a renda, luz e água, que eram as despesas básicas no começo.
Pelo meio, outros factos aconteceram, que merecem uma referência.
O bar teve a sua inauguração, com a oferta de uma garrafa de Brandy, oferecida pelo João Leitão e José Paula, visto nada existir, nem sequer o balcão, sendo as bebidas pagas a um preço superior ao que se pagava cá fora, servindo para angariar mais algumas receitas.
Decidiu, ainda, a Comissão Instaladora marcar uma semana de actividades para Julho de 1975, com um programa aliciante, que englobava projecção de slides do Concelho, reuniões de associações locais, variedades de naturais da região, debates sobre emigração, tarde desportiva, culminando com um convívio, no Colégio dos Maristas.
Um pintor espanhol mostrou o desejo de expor na Casa, decidindo-se então, divulgar que existia um salão com capacidade para receber casamentos e baptizados, podendo as instalações serem cedidas pelo preço de 750$00. Com esta decisão, cedeu-se a Casa para o «copo de água» do casamento de um colega por esta quantia.
Com o entusiasmo a aumentar, crescia o consumo no bar e os donativos, o número de sócios aumentava a olhos vistos, atingindo-se cerca de duas centenas, originando mais receitas, havendo ainda muitas ofertas para o bar e o salão.
São publicados os estatutos no Diário do Governo n.º 116, III série, em 20 de Maio de 1975 com um custo de 9.479$00, na moeda vigente, faltando ainda, a sua publicação num jornal diário, que implicava mais uma despesa de 3.000$00.
Numa viagem ao Sabugal, foram encetados contactos com a Comissão Administrativa da Câmara Municipal, existindo uma grande abertura em relação à Casa, podendo, muitos problemas virem a ser tratados com a sua colaboração, em Lisboa. Também aconteceu um contacto com a Viúva Monteiro & Irmão para se fazer uma excursão a Lisboa, por altura do convívio de 13 de Julho, oferecendo a Casa as instalações, dentro das suas possibilidades, para a dormida de alguns excursionistas. A fábrica Cristalina disponibilizou os seus produtos para serem consumidos na Casa.
Aconteceram ainda tantos outros factos e histórias, que não foram tão relevantes, cuja memória já não alcança, mas que, ainda assim, com o seu pecúlio possível, contribuíram para ajudar ao funcionamento da Casa, a partir de Agosto de 1975.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

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