Com a Cimeira Ibérica à porta, empresários de Portugal e Espanha defendem que é crucial impulsionar as infra-estruturas na região transfronteiriça para atingir a sustentabilidade de zonas «esquecidas» e que vivem com um «profundo défice de desenvolvimento».

A Raia (foto de José Alberto Afonso Alexandre)O apelo surge num documento preparado em encontros entre representantes de organizações empresariais de Portugal e Espanha que vai ser levado à cimeira luso-espanhola que decorre na quinta-feira, dia 22 de Janeiro, em Zamora (Espanha).
O texto foi subscrito por organizações empresariais de Zamora e Salamanca em Espanha e do Norte e Centro de Portugal (Bragança, Vila Real e Guarda).
A principal preocupação manifestada é com a chamadas «zonas social e economicamente deprimidas», que continuam a perder população. Trata-se sobretudo de zonas fronteiriças, onde é preciso aumentar as ligações ferroviárias e rodoviárias, garantir um bom e rápido acesso à Internet, às comunicações móveis ou mesmo à televisão por cabo.
A luta é por garantir nessas regiões condições propícias para que as populações também tenham acesso ao desenvolvimento, retirando-as do isolamento e do esquecimento em que se encontram. «Somos os grandes esquecidos pelos governos. Somos poucos e em ambas as zonas os votos são relativamente poucos. Como o peixe está todo vendido, esquecem-se de nós», frisou Ángel Herrero Magarzo, presidente da Confederação de Organizações Zamoranas de Empresários em declarações à agência Lusa.
Dentre os projectos que o documento defende para as zonas raianas destacam-se a ampliação da auto-estrada A11 até à fronteira com Portugal, a criação de novos parques logísticos, a reabertura da linha ferroviária da Rota da Prata, uma ponte internacional sobre o Douro, a construção da auto-estrada entre Bragança e Puebla de Sanabria e a ligação ferroviária directa entre Madrid e o Porto – passando por Salamanca.
O texto insta ainda os dois governos a desenvolverem as telecomunicações e o acesso à banda larga nas zonas transfronteiriças, para reduzir o défice nesta matéria que sentem as populações dessas regiões. Além das áreas logísticas já existentes, os empresários defendem ainda a criação de novas zonas, para garantir uma cobertura ao longo de toda a fronteira, citando com exemplos possíveis a Guarda e Salamanca. E querem um observatório que analise a evolução económica e social da zona da fronteira e o desenvolvimento de um parque tecnológico empresarial transfronteiriço na área de energias renováveis e ambientais. Segundo o texto é ainda vantajoso apostar em estruturas de apoio que aumentem a competitividade das empresas do sector agro-industrial e o estabelecimento de uma rede de cooperação para promover a criação de consórcios de empresas da fronteira.
plb

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