De seu verdadeiro nome João Ramos Jorge, Rão Kyao é um dos melhores músicos portugueses.

Joao Aristides DuarteIniciou-se no Jazz, onde foi um excelente saxofonista, tendo conhecido o êxito em 1983, quando editou o LP «Fado Bailado», onde interpretou com o saxofone vários e conhecidos temas de fado.
Em 1984 abandonou o saxofone e dedicou-se, por inteiro, a tocar flautas de bambu, técnica que aprendeu na Índia, e que já tinha experimentado no LP «Bambu», de 1977.
Em 31 de Maio de 1985 vi um concerto de Rão Kyao (então no seu apogeu), no velhinho Cine-Teatro da Guarda. Foi um magnífico concerto, quase todo baseado no LP «Estrada da Luz» (editado em 1984 e que continha o grande sucesso «Canção da Manhã»), totalmente interpretado em flautas de bambu.
O concerto do Sabugal aconteceu na noite do dia 22 de Junho de 2000, integrado nas Festas de S. João, que decorreram, como habitualmente, no Largo da Fonte.
Rão Kyao no SabugalDesde «Estrada da Luz» até ao concerto do Sabugal, Rão Kyao editou mais de uma dezena de álbuns, portanto tinha um reportório impressionante para apresentar.
O material de som e luzes montado no palco, alugado a Luís Albuquerque, de Celorico da Beira; era de fabrico nacional, da marca Furacão.
O lote de músicos que acompanharam Rão, nesta sua incursão em terras sabugalenses era de primeira água: o baterista Alexandre Frazão, um brasileiro há muitos anos residente em Portugal, que pertenceu aos Resistência, o teclista Renato Júnior (embora com o mesmo nome, nada tem a ver com o dos UHF) e um baixista de que não retive o nome, mas que era um grande instrumentista.
Rão Kyao interpretou no seu concerto temas como «Dança de Rua», «Tróia», «Bombaião» ou «Rusga (Desgarrada)». Infelizmente «Canção da Manhã» não foi tocada.
Um dos temas que tocou foi «Toada Beirã» e como estava em terras da Beira Alta, não deixou de se referir a esse facto.
Embora a maioria do público estivesse longe do palco, principalmente na zona do bar, alguns mais próximos não regatearam apoio ao músico.
Rão Kyao no SabugalRão Kyao faz-se, sempre, acompanhar dum saco, que coloca a tiracolo, onde guarda as suas flautas de bambu (e são várias). Assim aconteceu no Sabugal, onde nunca largou o saco, enquanto esteve nos bastidores do concerto.
Rão Kyao e a sua comitiva só jantaram no final do espectáculo, depois da uma hora da manhã. Tinha sido, previamente, combinado assim, uma vez que o músico nunca come antes do início do seu espectáculo. Sei que apreciou o vinho que acompanhava a refeição e era da Adega Cooperativa de Pinhel.
No final do jantar, Rão Kyao dirigiu-se para o bar, onde permaneceu em alegre convívio com os membros da Comissão de Festas e outros noctívagos.
Ele só bebia vinho e só queria mesmo o de Pinhel. Esteve bastante tempo no bar, convivendo, sem quaisquer tiques de vedetismo.
É essa imagem que eu guardo de Rão Kyao: um grande músico, dos melhores que o País possui e que nem sequer autorizava que lhe chamassem senhor.
Enquanto o seu road manager, muito mais novo que ele, foi para a cama, Rão Kyao permaneceu até perto das 3 da manhã, no recinto das Festas de S. João.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

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