Acabaram-se as mini-férias de Natal e Ano Novo, passadas na nossa Aldeia.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaJá em artigos anteriores descrevi, mais ou menos, como são passadas as nossas festas natalícias.
Por toda a Raia, as fogueiras acendem-se num ritual bem antigo, comemorando, deste modo, o Natal e o nascimento do Menino.
Em tempos mais antigos, raro era o ano, que não déssemos uma volta pelas outras Aldeias mais próximas, a avaliar as fogueiras, cumprimentar os amigos e beber um copo, que nos era servido, com gosto, pelos resistentes durante a noite, regressando à nossa Fogueira, permanecendo até ao romper do dia, acompanhados dos assados, na dita cuja, só depois recolhendo a casa, para um sono merecido. Belos tempos!…
No Ano Novo, acompanhámos a 1. ª Capeia do Ano, em Aldeia Velha, com destaque para o Mordomo, que tinha 3 anos, este começa cedo, pegando à Galha e tudo, agarrando-se bem aos paus do Forcão, embora com os pés no ar, que é que se esperava com aquele «cabedal» todo? Depois da volta à Praça, com a Charanga improvisada, veio pedir a Praça ao amigo Tó Maria Vinhas, autor e compositor, como sabem, da famosa canção Formiguinha, que deu grande brado, na sua época, por tudo o que é sítio.
A Capeia decorreu muito bem, para esta época, tendo a rapaziada esperado, a preceito, os touros ao Forcão, embora confesse, que não sou muito adepto de Capeias no Inverno, por uma questão de princípio. Mas se outros gostam e seguem a tradição, também por lá aparecemos a ver a malta e beber um copo, porque não? Passámos uma bela tarde com o Tó Maria, O Ti Domingos, o Alexandre e dois Espanhóis amigos, relembrando algumas histórias e recordando, com imensa saudade, o Ti Zé Ramos Casanova.
Passado o ano, ala de abalada até Lisboa para início do trabalho, no dia 5, segunda-feira. Chegado ao trabalho, tive uma bela surpresa, para início do ano, com a minha companheira formiga, que me acompanha, já há para aí, mais de dois meses, aparecendo, como que a saudar-me, depois de quase quinze dias de interregno. Estive uns minutos a observá-la, para trás e para diante, até que lá se foi à sua vida, deambulando pela secretária, até que resolva aparecer, novamente.
Foi um belo início de ano pois, a formiga representa muito, devido ao seu trabalho e organização em comunidade. Esta deve ter perdido a família, passando o tempo na minha mesa, tendo sempre um cuidado enorme, receando causar-lhe algum dano irreparável.
Antigamente, quando era garoto, acompanhava a minha Mãe, na rega das batatas e no outro «renovo» depois de engatada a nossa Burra à Nora, iniciando as intermináveis voltas com os olhos tapados, deborcando os copos bem cheios de água no tabuleiro de metal, enchendo bem a «regadeira» levando a água para bem longe, o meu passatempo era admirar as formigas, deliciando-me a seguir os enormes carreiros das ditas, até ao seu refúgio ou casa, onde armazenavam toda a espécie de alimentos, para os tempos difíceis que as esperavam.
Com certeza, que a todos vem à lembrança, a história da cigarra e da formiga. Enquanto aquela, passava o tempo a exibir-se e a cantar, esta, trabalhava arduamente, amealhando para tempos difíceis.
Que todos tenham uma formiga amiga por perto, para se lembrarem, que a vida é feita de trabalho e sacrifícios, devendo ser um exemplo a seguir, pois o futuro é imprevisível, nos dias de hoje.
Renovo para si, amigo leitor, os votos de um Bom Ano de 2009.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

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