«Dever cumprido» é o sentimento do Major Luís Cunha Rasteiro, o sabugalense que esteve um ano e meio como comandante do Grupo da Guarda da GNR. Com a nova Lei Orgânica da GNR o Grupo foi extinto, passando a Comando Territorial, devendo ser chefiado por coronel. O cargo vai ser ocupado pelo Coronel Monteiro Antunes, que tomará posse no próximo dia 5 de Janeiro.

Major Cunha Rasteiro (Comandante do Grupo Territorial da GNR da Guarda)Que balanço faz da sua actuação enquanto comandante da GNR da Guarda?
Tenho o sentimento do dever cumprido. Embora numa situação transitória, assumi o comando do Grupo Territorial da Guarda com um objectivo em mente: conseguir mais e melhor segurança para o distrito. Posso afirmar que nesse aspecto essencial as coisas correram bem. Embora a pequena criminalidade tenha aumentado ligeiramente, situação que de resto terá acontecido em todo o País, o que posso garantir, com os dados de que disponho, é que a criminalidade violenta diminuiu no distrito e considero este resultado muito importante, porque isso traduz-se num maior sentimento de segurança por parte das populações.
Sente que a GNR está mais próxima das pessoas?
A nossa razão de existir são as pessoas. Preocupei-me muito com a prevenção da criminalidade, procurando aproximar-me de diversos segmentos da população do distrito, o que foi bem visível com as sucessivas acções de sensibilização junto da população mais vulnerável, como as crianças e os idosos. Nessas acções procurámos ensinar as boas práticas para uma melhor auto-protecção. São as chamadas «medidas passivas», que aliadas a um constante patrulhamento dos nossos militares levam a uma Guarda de proximidade. Mas também houve uma actuação firme quando foi necessário, tendo aumentado o número de detenções efectuadas e o número de autuações. Também se conseguiram melhorias ao nível de alguns quartéis e a afectação de mais viaturas ligeiras aos postos territoriais.
E no concelho do Sabugal também houve melhorias?
Desde logo no aumento do número de efectivos. No Sabugal havia 18 efectivos e hoje o posto tem 23 militares. O mesmo sucedeu no Soito, onde havia sete militares e agora existem 12. Isso melhorou muito a capacidade operacional destes dois postos, aliada ao facto de ambos os passarem a dispor de mais uma viatura ligeira, hoje um meio essencial para um patrulhamento mais eficaz.
Quer destacar algum momento marcante neste ano e meio em que comandou a GNR do distrito?
Houve vários momentos marcantes. Desde logo o falecimento de alguns militares que estavam no activo. Felizmente não houve mortes por razões de serviço, mas perder militares na altura em que estão em funções é algo muito negativo e que nos toca. Depois também houve alguns momentos difíceis, como a greve dos camionistas e as situações de criminalidade violenta, mas tudo foi resolvido da melhor forma. O mais tocante são sempre as situações que envolvem vítimas e dentro destas destaco as situações de violência sobre idosos, que infelizmente estão a crescer.
Refere-se a violência provocada por criminosos que querem extorquir pessoas de idade?
Não, o que cresceu foram as situações de violência sobre idosos provocadas no seio familiar. É um tipo de violência doméstica que é pouco falado mas que tem vindo a crescer no distrito.
E a violência doméstica em geral também tem crescido?
As denúncias desse tipo de crime cresceram muito, mas penso que isso se deve sobretudo ao facto das vítimas perderem o medo, ganhando coragem para denunciar. Pode não se tratar de um aumento real desse tipo de violência.
Falou-se muito, há um tempo atrás, na possibilidade de serem encerrados postos pequenos, como o do Soito. Qual é o ponto da situação?
O Ministério da Administração Interna há muito que garantiu que não haverá encerramento de postos, pelo que a questão hoje não se coloca. Além do mais, e no que se refere especificamente ao concelho do Sabugal, temos de ter em conta que se trata de um concelho muito extenso e com muitas aldeias, pelo que se justifica claramente a existência de dois postos, tendo aliás aumentado os seus efectivos, como já referi.
No concelho do Sabugal têm vindo a suceder-se situações de furtos em igrejas. Houve já resultados por parte das investigações que decorreram na sequência desses casos?
Não é apenas no sabugal que isso acontece. Isto é uma consequência desagradável da desertificação humana de todo o interior do país. Havendo menos pessoas as igrejas, os cemitérios e os monumentos estão menos protegidos e os prevaricadores sentem-se mais à vontade para agir. Há um programa da Polícia Judiciária chamado «Igreja Segura», que procura prevenir as situações de furto de arte sacra. Nós temos vindo a sensibilizar os párocos para tomarem algumas das medidas aí previstas, como a inventariação do património das igrejas e mantê-las fechadas à noite. Quando às investigações em curso, posso garantir que algumas que são da competência da GNR vão produzir resultados a breve trecho.
Vai permanecer no Comando Territorial da Guarda?
Sim. Vou ficar responsável pela investigação criminal e pela secção de operações. Sinto que nessas funções poderei continuar a servir bem a instituição a que pertenço e ser útil ao meu distrito e ao meu concelho.
plb