Cientistas portugueses e espanhóis propõem a recuperação da diversidade genética do coelho como estratégia para salvar da extinção o lince ibérico da Serra da Malcata.

Lince Ibérico da Serra da MalcataA proposta foi apresentada por cientistas das universidades de Évora, Málaga e da Estação Biológica de Doñana num estudo a publicar no início de 2009 na revista científica internacional «Diversity and Distribution», especializada em biogeografia da conservação.
O lince ibérico, o felino mais ameaçado de extinção em todo o mundo alimentava-se até ao século passado de duas linhagens genéticas de coelho com habitat em duas zonas distintas da Península Ibérica, uma situada no nordeste e outra no sudoeste.
Os dois animais surgiram aproximadamente ao mesmo tempo na península e evoluíram em conjunto ao longo do último milhão de anos, período durante o qual estabeleceram inter-relações complexas cuja preservação é agora defendida pelos cientistas.
A população de coelhos do nordeste sofreu nos anos 1980 uma redução drástica que foi acompanhada por uma diminuição de linces, tendo estes passado a ficar confinados ao sudoeste, numa área que abrange Espanha e Portugal e inclui a Serra da Malcata.As duas zonas geográficas estão separadas por uma diagonal situada entre Vigo e Múrcia, sendo que o lince foi ficando relegado à parte esquerda desta diagonal e, mais recentemente, ao sul desta área.
A equipa de investigadores universitários procurou saber se o declínio do lince seria apenas um problema de falta de coelhos ou também, como suspeitavam, de falta de diversidade desta presa.
Para testar esta possibilidade desenvolveram dois modelos matemáticos, um para cada espécie, em que relacionaram conjuntos de factores ambientais, como o clima e o estado dos solos, com a abundância da população.Os modelos foram depois usados para testar se a razão principal do declínio do lince eram variações ambientais ou variações nas populações de coelhos, tendo a conclusão apontado fortemente para a última hipótese.
A equipa constatou também uma associação negativa entre a linhagem de coelhos do sudoeste, a única actualmente ao dispor do lince, e as condições óptimas de vida do coelho, sugerindo que esta subespécie não está a prosperar, contrariamente à do nordeste, o que compromete ainda mais a situação do lince.
jcl com agência Lusa

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