A reunião de 18 de Março de 1975 da Comissão Instaladora decorreu muito acalorada, gerando acesas discussões, pois os outros elementos, embora reconhecendo a necessidade da casa para a sede, não quiseram aceitar a ideia de ter um Lar dentro da Casa, pois não era nada adequado, visto se irem realizar no seu interior bailes, convívios e reuniões, que não eram nada propicias ao descanso e silêncio necessários para o fim a que se destinava, além de que esta situação custava dinheiro e este não abundava, pelo contrário, mal dava para pagar a publicação dos estatutos no Diário do Governo, tendo ainda, de instalar convenientemente os pensionistas e alimentá-los.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaComo a discussão se arrastou por tempo demasiado, decidiu o Dr. Seabra tomar a responsabilidade de alugar o andar vago, conforme anteriormente já referimos, em nome da Casa do Concelho de Sabugal, doando 18 contos, para pagamento dos três primeiros meses de renda, desistindo do projecto de ampliar o Lar Maria Cristina.
Mesmo assim, em relação ao Lar ou casa de Repouso, registava-se um empate nas opiniões, como estas estavam divididas, decidiu-se convocar, para um mês depois, dia 18 de Abril de 1975, uma assembleia de sócios, que reuniu com cerca de 42 sócios, onde foram apresentados os trabalhos da Comissão, surgindo várias propostas para se arranjarem fundos para pagar a renda, tais como: serviço de bar – difícil de implementar; aumento das quotas – rejeitado; aluguer de dois quartos – cortava espaço à sede; inscrição de mais sócios – muito moroso; bailes e festas – também moroso; admissão de hóspedes – a Assembleia Geral rejeitou, assim como a criação do Lar ou Casa de Repouso.
Rejeitadas todas as propostas, não se chegando a conclusões, no final da assembleia, fez-se uma subscrição pelos presentes, tendo-se arranjado algum dinheiro.
Constatamos que desta assembleia não saiu nada de concreto sobre receitas para a renda da casa e outras despesas e, na reunião do dia 24 de Julho de 1975, verificou-se alguma apreensão na Comissão Instaladora, devido à situação precária da casa, concluindo-se, que se não se criassem receitas que cobrissem as despesas, a Casa podia acabar.
A renda deste novo espaço era cara para a época, para que se tenha uma ideia, os vencimentos eram muito baixos, na altura, em todos os sectores, a maioria do pessoal jovem, que acompanhava este processo ganhava à volta dos 3 a 4 contos, 15 a 20 euros mensalmente. Uma fortuna! … Por aqui se podem aquilatar as dificuldades.
Depois de todas as recusas em alugar algo da Casa, sem receitas nem recursos, caindo o plano apresentado, é então que o Sr. Adelino Dias sugere que se arrendem dois quartos já mobilados com camas, ao Dr. Seabra pela importância dos 6.000 escudos, valor do aluguer da Casa, de forma a garantir o pagamento da renda, para salvar a associação, à falta de mais alternativas.
O Dr. Seabra aceitou esta sugestão, movido pelo propósito de contribuir para a melhoria da situação financeira da C.C. Sabugal, com início em 1 de Agosto de 1975.
Esta decisão gerou ainda mais discussões, levando Fitz Quintela, José Roque e José Paula da C.I. e ainda, João Leitão e José Correia, que ajudavam esta Comissão, a um distanciamento deste processo, afastando-se, durante algum tempo da Casa.
Foram então arrendados dois quartos, durante alguns meses, viabilizando assim a sede, embora não fosse agradável, conviver com estranhos, para muitos de nós que frequentávamos a sede, era uma sensação esquisita, mas foi a única solução encontrada, não sendo fácil, como se calcula, libertando-a do ónus da renda, permitindo-lhe sobreviver.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

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