A questão vem de há longos anos. As grandes cidades prosperaram com os negócios nelas instalados, roubando gente às aldeias, que se vão desertificando.

Desporto no campoMas será que as cidades nos dão melhor qualidade de vida? Pois isso depende do conceito. Para alguns, qualidade de vida é o contacto com a Natureza: respirar ar puro; alimentar-se com produtos frescos e genuínos, tirados da terra; praticar desporto entre as árvores; desfrutar de paisagens amplas e soberbas, a perder de vista. Porém para outros, qualidade de vida é ir ao cinema e ao teatro sempre que lhes apetecer; escolher cada dia um restaurante para comer e um amigo para conversar; frequentar livrarias e bibliotecas; fazer compras em centros comerciais; decidir, de entre variadas opções, a melhor formação escolar.
A verdade é que a cidade continua a ganhar ao campo quando falamos em oportunidades e em opções de vida. É nas grandes urbes que se desfrutam de mais possibilidades para trabalhar e para fazer negócios, melhores opções nos campos da educação e da cultura, maior acesso às tecnologias e a meios de comunicação.
Mas o caso é que foram precisamente a evolução tecnológica e a evolução dos meios de comunicação que nos passaram a permitir reduzir as distâncias, trazendo para perto o que, de facto, está longe. Assim, estando no campo, podemos desfrutar muito daquilo que só a cidade tem.
As auto-estradas que hoje servem a Beira Interior aproximam as nossas terras das grandes metrópoles de Lisboa e do Porto. Um computador ou um telemóvel ligados à Internet podem também colocar-nos no maravilhoso mundo virtual, onde estamos a um «clique» de tudo.
Por isso, é tempo de repovoar o interior do país. Hoje há de facto condições para que mais gente tome a opção de se instalar no campo, ficando perto da cidade e daquilo que esta oferece. Só com mais gente em idade activa o interior pode prosperar, rebentando as peias que lhe tolhem os movimentos.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

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