Creia-me leitor(a), Cristo não vai nascer no próximo dia 25 de Dezembro. A sua mensagem de amor e misericórdia foi derrotada, não pelo ateísmo ou pelo anti clericalismo, foi derrotada por uma ideologia burguesa que encheu a terra de egoísmo e de subvalores como o lucro, o individualismo e a febre de consumo.

António EmidioQue espectáculo de paz e amor nos mostra esta sociedade onde uma industria publicitária, travestida de cristã, com o apoio de governantes, de homens poderosos economicamente e da macro estrutura da igreja, nos invade as nossas casas, o nosso local de trabalho, ruas e praças? Esta vertigem mercantil inunda-nos de tudo quanto é supérfluo. Faz-nos compradores compulsivos de qualquer porcaria que se publicite. Essa publicidade diz que o amor está numa água-de-colónia, e a liberdade numa comida do mc donald´s!…
Penso que nesta época a fé ainda se torna mais abstracta para a maioria dos crentes, afasta-se da devoção e aproxima-se do materialismo. O presépio já não representa Cristo nem a família, ambos foram derrotados pela mesma ideologia.
Vou terminar com um conto de Natal:
Alguém na Praça de S. Pedro, em Roma, perguntou a um guarda suíço se tinha ali tinha visto Cristo, o guarda sorriu e disse que não. O mesmo «alguém», numa cidade de um país da América Latina, e num paupérrimo bairro de lata, fez a mesma pergunta a um missionário que ajudava aqueles párias da terra. A resposta foi que sim. E mais – «está além» – apontou para uma criança nua e com o ventre inchado pela fome.
Paulo Leitão, Zé Carlos, leitores, amigos e colaboradores do Capeia Arraiana, um bom Natal Espiritual.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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