Ano 2001, noite do dia 14 de Agosto: milhares de pessoas assistiram ao concerto da Quinta do Bill, no Soito, integrado nas Festas de São Cristóvão.

Joao Aristides DuarteNesse ano a Quinta do Bill ainda estava no auge, facto que hoje já não acontece.
Realmente, pelos finais dos anos 90 e primeiros anos do século XXI, a Quinta do Bill tinha uma média de 40 concertos por ano. Hoje, se tiver 20 concertos já é muito bom.
O concerto da Quinta do Bill, no Soito foi o espectáculo mais caro que, alguma vez pisou um palco da freguesia. Este facto motivou uma série de comentários de pessoas pouco informadas, mas o que é facto é que as Festas de S. Cristóvão, nesse ano, não deram prejuízo. Ao contrário do que muita gente diz, as Festas do Soito (que terminaram no ano seguinte, só voltando em 2005, após três anos de interregno) não acabaram porque estavam a dar prejuízo, mas sim por outros motivos. Mas, isso é outra história…
A montagem do equipamento de som e luzes da Quinta do Bill (transportado num camião TIR) iniciou-se às 10 da manhã e só terminou pelas 20 horas.
Durante a tarde, ao lado do palco decorria a capeia. De vez em quando os músicos da banda espreitavam para verem tão singular espectáculo, que desconheciam por completo.
Como eu pertencia à organização, por ser membro da Comissão de Festas desse ano, pude aperceber-me da quantidade de cabos de ligação aos sistemas de som e luzes espalhados pelo palco. Realmente, não havia quase espaço nenhum, onde não houvesse um cabo. Os músicos não podiam fazer grandes movimentos, embora o palco fosse todo para a Quinta do Bill.
Neste ano eram membros da banda Carlos Moisés (voz, guitarra acústica e flauta), Nuno Flores (violino), Miguel Urbano (acordeão, guitarra e teclados), Cató (guitarras e banjo), Paulo Bizarro (baixo e voz) e Jorge Costa (bateria).
Por vota da meia-noite e meia iniciou-se o concerto. A abertura foi com «Dá-me a Verdade». Logo nos primeiros segundos do concerto teve início uma série de efeitos pirotécnicos que só terminariam no último tema. O som estava espectacular.
Quinta do BillSeguiram-se os temas «Basta!» e «O Fim do Mundo». Depois o concerto seguiu em crescendo com «Voa, Voa» (este tema teve um esplêndido jogo de luzes inicial), o instrumental «Gualdim Pais, Umas Vezes a Trote, Outras Vezes a Galope» (com Carlos Moisés a tocar flauta) e a apresentação do novo tema «1001 Lendas» (que seria lançado no novo álbum intitulado «Nómadas», saído em Outubro desse ano).
«Parar o Tempo» (também com pirotecnia) foi o tema seguinte, a que se seguiu a balada «Se Te Amo».
Outro instrumental «Anoitecer em Dublin» seguiu-se no alinhamento. Depois foi a vez de «Mão na Consciência» e «Índios na Reserva».
«Donas de Bem», «Goa» e o instrumental «Aljubarrota» antecederam o momento mais festivo com «Festa dos Vencidos» e «Senhora Maria do Olival». Na parte final deste último tema entrou em cena um “cabeçudo” que percorreu a parte de trás do palco, enquanto Carlos Moisés tocava flauta.
Os últimos temas foram «Alcácer Quibir» e «Menino». Nesta altura já todo público próximo do palco dançava sem parar.
A banda despediu-se e o público pediu, insistentemente, um encore.
A banda regressa ao palco e oferece ao público «Filhos da Nação» (o tema mais aguardado) e «No Trilho do Sol». Neste tema final, um membro do staff da banda tocou didgeridoo, um instrumento típico dos aborígenes australianos, antes de tudo terminar com um espectacular efeito pirotécnico.
A banda regressou ao palco para agradecer ao público, mas não voltou a tocar. Carlos Moisés despediu-se com um «Querem dançar?» e um «Vamos pegar o touro?» (referência ao que viram durante a tarde), a que se seguiu uma gravação de um tema dos galegos Celtas Cortos, até tudo ser desligado.
Um concerto inesquecível, este da Quinta do Bill, no Soito. Nas imagens podem ver-se alguns momentos desse concerto.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

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