«Cães Letrados» é o novo livro de contos de Cristóvão de Aguiar, escritor açoriano com ligações ao Soito. Uma magnífica publicação com histórias sobre cães que inclui os contos «Girafa» e «Cães Universitários».

«Cães Letrados»O escritor açoriano Cristóvão de Aguiar, com ligações ao Soito e pai do nosso amigo coimbrão José Manuel de Aguiar, autor de uma vasta bibliografia de onde se destaca entre outros «Braço Tatuado», editou um livro de contos intitulada «Cães Letrados» que inclui as histórias «Girafa» e «Cães Universitários».
Para apresentar o livro aproveitamos os comentários dos escritores Fernando Namora, Urbano Tavares Rodrigues e Leocádia Regalo:

«O episódio da Girafa é uma obra-prima. Ele bastaria para fazer um livro e afirmar um autor.»
Fernando Namora

«Textos como “A Girafa” nunca mais se esquecem, devido à sensibilidade e à carga afectiva que o autor nelas derrama.»
Urbano Tavares Rodrigues

«Histórias comoventes, onde aprendemos coisas extraordinárias destes nossos amigos. Por exemplo: sempre que quisermos um cão idóneo devemos adoptá-lo entre a família dos vadios de primeira geração – só estes possuem capacidade para serem amigos de verdade e dar tudo pelo dono que o escolheu.
Como leitores constantes de Cristóvão de Aguiar, fomos lendo páginas exemplares, motivadas por esses animais intuitivos, que surgiram na sua obra, desde a primeira narrativa – os cães. Quem pôde esquecer a morte da Girafa, a cadela dócil, em Raiz Comovida, ou o parto da Andorinha, no abrigo do alferes e de um sargento, em plena Guerra Colonial, de Ciclone de Setembro? Agora, somos presenteados com Cães Letrados, uma obra em que o escritor reuniu “os textos extraídos, com ligeiras alterações, de vários livros, narrando histórias de cadelas ou de cães”. Os desenhos de André Caetano vieram retratar com sensibilidade e fidelidade à narrativa esses peculiares bichos que dão pelos nomes de Monalisa, Adónis, Ísis, Schwarz, Petruska, ou então, Isquininho, Ligeiro, Valente, Pantera, ou ainda, numa designação de classe, cães de esplanada, cães universitários, cães cantores… O título Cães Letrados, numa ambiguidade irónica, possibilita uma leitura que faz ascender estes canídeos ao estádio das Belles Lettres, como personagens que usufruem de pleno direito do seu estatuto, nas diversas narrativas, ou uma outra interpretação para a qual contribui a significação caricatural de “cães universitários”, aqueles que o autor concebe com a dose de humor, por vezes sarcástico, a que vota todos os exage­ros do academismo e seus tiques. (…)
Merece a pena ler (ou reler) Cães Letrados. Por se tratar de uma obra de um escritor açoriano que sempre se afirmou, nas letras nacionais, como um exímio cultor da Língua Portuguesa, recriando-a na sua diversidade e tratando-a com uma correcção clássica, no seu riquíssimo léxico, que lhe permite usar o arcaísmo ou o neologismo com a plasticidade única que a construção semântica exige, tornando-se assim um virtuoso da língua. Porque esta antologia de textos nos faz reflectir especularmente sobre as atitudes, positivas e negativas, que nos levam à conclusão de que, na fronteira entre a racionalidade e a irracionalidade se encontram muitas vezes os homens, sendo estes animais dotados de grande intuição, discernimento, sensibilidade, dedicação, fidelidade, compaixão, solidariedade, bravura, meiguice e tantas outras qualidades amplamente manifestadas na narrativa dos seus comportamentos. E ainda, por causa da edição cuidada, realçada por uma ilustração sóbria e adequada, contida no traço expressivo de André Caetano, o jovem que nos ajuda a imaginar visualmente as personagens deste livro.»
Leocádia Regalo

Os nossos parabéns a mestre Cristóvão de Aguiar por mais esta obra.
jcl