Pedro Barroso nasceu em Lisboa, em 1950 e estreou-se no célebre programa da RTP, Zip-Zip, em 1969. Lançou o seu primeiro disco, intitulado «Trova-Dor» em 1970. Gravou já mais de uma dúzia de long-plays. É uma grande voz e autor de quase todos os temas que interpreta.

Joao Aristides DuarteSão dele estas palavras: «Actuei em sítios onde nunca se vira um microfone. Outros, graças a geradores, onde não havia luz, sequer. É uma história imensa que fica por fazer. Um dia, se houver justiça e tempo, se poderá e deverá investigar melhor a forma desarrumada e breve, intensa e imperiosa que mascarava a raiva de lutarmos com armas desiguais. Eram tempos em que tudo era instintivo e puro. Genuíno. Convidavam-me para ajudar à ambulância nova dos Bombeiros; para ajudar àquela miúda que tinha leucemia e não havia dinheiro. Tantas coisas assim.»
O seu concerto no Soito aconteceu na noite de 9 de Agosto de 1993, integrado nas Festas de São Cristóvão.
Pedro Barroso é amigo da família de Catarina Furtado, cujas raízes estão no Soito. Efectivamente, a mãe da apresentadora de televisão é natural do Soito. Pedro Barroso já tinha estado na quinta que os avós de Catarina possuíam no Soito, muitos anos antes do concerto. Segundo me contou uma prima de Catarina Furtado, a família Garcia da Fonseca era amiga da família de Pedro Barroso.
Pedro Barroso iniciou o seu concerto agradecendo o convite e referindo um episódio que o tinha marcado: antes do espectáculo ele dirigia-se para a residencial e deixou esquecida a sua pochette num muro. Uma habitante do Soito dirigiu-se à residencial e entregou o objecto (que continha certamente documentos) De seguida aproveitou para se referir a alguns artistas que trazem a «música no bolso», sem dirigir a crítica a ninguém em particular. A sua referência era dirigida àqueles artistas que actuam em play-back. Pedro Barroso faz-se, sempre, acompanhar de músicos nas suas actuações.
a Pedro Barroso. O cantor definiu tudo em duas palavras: «Gente boa!»
Pedro BarrosoA banda de Pedro Barroso era constituída por um acordeonista, um flautista (que também tocava gaita-de-foles e percussões tradicionais), um pianista e ele próprio em guitarra acústica e adufe. Este grupo acompanha Pedro com sobriedade, mas com muito profissionalismo.
Durante o concerto puderam ouvir-se temas como «Ramalhete Rubro de Papoulas», «Cantarei», «Viva Quem Canta», «Fado da Charneca», «Ai Consta», «Eu Hei-de Meu Bem, Eu Hei-de» e o tema mais conhecido de Pedro Barroso, que um dia ele levou a um Festival da Nova Canção Portuguesa, organizado pele RTP, intitulado «Cantar Brejeiro (A Perninha da Menina)».
O público presente, muito atento, não regateou aplausos ao cantor, que terminou a sua actuação com um tema bastante dançante e próximo da música tradicional.
Pedro Barroso é, hoje, um nome reputado de um certo estilo de música, desalinhada, mas marcadamente portuguesa.
Embora desconhecido por muitos, sobretudo os menos atentos ou apegados a fenómenos de moda (sempre passageira), não deixa de ter o seu público e ser um digníssimo representante da (boa) música portuguesa.
Foi um dos melhores concertos a que assisti no Soito. Apesar de não ter aparato, não ter bailarinas, ser escasso em luzes, este concerto marcou-me.
Nas imagens podem ver-se momentos da actuação de Pedro Barroso, no Soito.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

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