Domingo, dia 7 do corrente mês de Dezembro, deu-se o primeiro passo para a criação de uma «Zona de Intervenção Florestal» (ZIF) na Freguesia de Foios. A população foi avisada, na missa dominical, para que comparecesse, às 14 horas, no auditório do Centro Cívico para lhes poder ser explicado, pelos Técnico Florestais, no que consiste uma ZIF.

José Manuel CamposApesar do dia ter estado bastante chuvoso as pessoas compareceram em grande número.
O Presidente da Junta deu as boas vindas a todas as pessoas de Foios e agradeceu aos Senhores Técnicos, Eng.ª Cláudia Salgueiro, Eng.ª Graça Ribeiro e Eng.º Rafael Neiva, o facto de se terem deslocado aos Foios apesar de ser num domingo. De seguida foi feita a apresentação da ZIF, através do «Power Point», pela Eng.ª Graça Ribeiro. No final deu-se a oportunidade às pessoas para tirarem algumas dúvidas tendo-se, de seguida, passado ao preenchimento e assinatura de um documento que a Junta de Freguesia tinha preparado para o efeito.
Como é do conhecimento geral a Freguesia de Foios possui uma área de baldio bastante considerável. As matas de pinheiro são bastante extensas e necessitam ser cuidadas como quem cuida jardins. Para além das matas do baldio existem mais 480 hectares que foram plantados, há cerca de doze anos, através de um projecto PAF (Plano de Acção Florestal). São matas muito extensas e praticamente abandonadas. A maioria dos proprietários são já pessoas de idade avançada e outros nem sequer por cá vivem. É absolutamente necessário e urgente acudir a essas matas sob pena de poder surgir um fósforo que nos deixe a todos a chorar lágrimas de crocodilo. A Junta de Freguesia de Foios já tomou a decisão de não deixar plantar mais floresta sem que primeiro se cuide da existente.
foiosEstamos contentes e felizes com a criação da ZIF, que irá permitir uma melhor organização e evitar que os fogos provoquem desgraças como é do conhecimento de todos. É necessário criar mais pontos de água, melhorar caminhos e limpar aceiros. Apraz-me registar, com agrado, que nos últimos dois anos não tem havido fogos como aconteceu noutros tempos. As equipas de sapadores – e outras equipas de vigilância temporária – muito têm contribuído para afastar os fogos das nossas matas. Os Serviços Florestais estão também muito bem organizados. As comunicações e a inter-acção são também hoje importantíssimas. O Gabinete Florestal da Câmara Municipal, Serviços Florestais da Guarda, Corpos de Bombeiros e Guarda Nacional Republicana tem, igualmente, evitado grandes males. Mas, apesar de tudo, continuo a dizer que o muito que já foi feito ainda é pouco. Pela parte que me toca tudo farei para que as nossas matas estejam tão limpas e tão protegidas como as matas dos pueblos de nuestros hermanos.
Quando vou a Navasfrias, a El Payo, S. Martin de Trevejo ou Valverde del Fresno, farto-me de tirar fotografias às matas para depois mostrar aos Técnicos portugueses. Os dinheiros existem. Temos que exigir que cheguem também à nossa região. É que a floresta também poderá e deverá contribuir para ajudar a travar a maldita desertificação.
Assim seja.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)

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