Pessoalmente, a vitória de Barack Obama deixou-me indiferente. E porquê? Barack Obama é um político norte-americano, não vai tomar nenhuma atitude perante o Mundo, que não seja a dos interesses das multinacionais americanas e dos seus poderosos oligarcas, e para mais agora que essa potência está em vias de desmantelamento.

António EmidioBarack Obama foi eleito, como todos os presidentes norte-americanos, com o apoio de Wall Street, do Lobby Judaico e dos meios de comunicação social controlados pelo poder económico. Conseguiu mais dinheiro dos ricos para a sua campanha eleitoral do que o seu opositor McCain. Escolheu para chefe de gabinete Rahm Emanuel, um super falcão judeu pertencente ao partido Likud que, enquanto teve um cargo no Comité Democrata para a campanha eleitoral do Congresso em 2006, fez muitos esforços para afastar candidatos democratas contrários à guerra do Iraque e a uma possível com o Irão. Por aí se vê qual irá ser a política para o Médio Oriente.
E aliás isto não passou de uma eleição entre dois homens que se candidataram, não foi uma campanha baseada em assuntos importantes.
Claro que não esqueço que esta vitória significou uma mudança geracional e sociológica. Uma família negra está na Casa Branca, com mais de 50 por cento do eleitorado norte-americano. Obama, por ser negro, também é visto como um anti-segregacionista como o foram Martin Luther King e Malcom X.
Tanta expectativa, tanta esperança, tanto apoio a um homem do Partido Democrata, legitima-o para um intervencionismo a nível mundial, com uma (ou mais) possível guerra. A nível interno até poderá pontualmente ter algumas intervenções políticas e económicas interessantes, provavelmente regressará o New Deal, mas em ponto pequeno, o que mais o legitimará perante o povo americano.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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