João Manata, relojoeiro de profissão, é deputado municipal, eleito pela CDU. Para além da mestria do ofício, que exige longo tempo de dedicação, João Manata é um conviva que mantém contacto permanente com a gente do Sabugal, sendo por todos acarinhado. Está atento à vida do concelho, com especial incidência na actividade autárquica, pelo que fomos à sua oficina onde conversámos acerca da vida política do concelho, numa altura em que o quadro de candidatos às próximas eleições autárquicas está quase completo.

manataPara quando se prevê a escolha do candidato da CDU a presidente da Câmara Municipal do Sabugal?
Ainda é muito cedo para isso. A seu tempo escolheremos o nosso candidato, que se apresentará como a verdadeira alternativa. O Sabugal precisa de uma política de esquerda, pois é necessário haver sensibilidade social para se resolverem os problemas das populações do concelho. E não tenhamos dúvidas: nenhuma outra força política pode oferecer essa alternativa que nós iremos apresentar.
Como deputado municipal e observador atento, o que pensa da actividade da câmara Municipal durante o presente mandato?
Tem sido uma actuação amorfa, pelo menos em relação às pequenas obras, que são por vezes as mais importantes, porque são as que mais dizem respeito às pessoas. Além do mais, na sua maior parte, representam a resolução de pequenos problemas práticos, que não têm sequer incidência de vulto em termos orçamentais.
Mas, falando de grandes obras, o que pensa do Centro de Negócios Transfronteiriço, construído no Soito?
Dou-lhe o benefício da dúvida, mas para nós essa obra nunca seria prioritária.
E quanto à ligação à A23?
É uma obra importante e fundamental para o concelho, mas preferíamos que fosse o governo a suportá-la, porque tem essa obrigação. Porém, perante essa impossibilidade, é bom que a Câmara avance, desde que a execução dessa obra não ponha em causa outras que sejam também fundamentais para o nosso futuro.
Sobre as Termas do Cró?
É uma obra importante e espero que as termas se revitalizem, mas sem as transformar numa estância de luxo a que só os ricos tenham acesso.
E a Festa da Europa, realizada no Verão?
A segunda edição, realizada este ano, esteve melhor. Mas ainda não é aquilo que o Sabugal precisa. Defendo uma festa, onde a par da animação, se divulguem as nossas potencialidades ao nível gastronómico, do artesanato e de outros produtos locais.
O Sabugal elegeu delegados ao congresso do PCP?
Nós elegemos delegados em conjunto com os concelhos de Pinhel, Almeida e Figueira de Castelo Rodrigo. Por acaso nenhum dos delegados eleitos é do Sabugal, mas isso não diminui a nossa representatividade.
Enquanto militante do PCP o que espera deste congresso?
Desejo que contribua para o fortalecimento do partido e para a sua afirmação política.
Afastados os chamados «reformistas», fala-se agora de uma luta renhida entre os «duros» do partido…
Digam o que disserem, a verdade é que o PCP é o partido mais aberto da democracia portuguesa. É o único que debate em todas as suas organizações, da base ao topo, todas as questões e com uma grande abertura, tornando públicas as suas teses para o congresso.
Voltando ao Sabugal, o PCP continua ser um partido muito pouco implantado. Isso impede-o de ter grandes expectativas quanto ao futuro?
Temos de reconhecer que ainda não atingimos os nossos objectivos no que toca ao concelho do Sabugal, mas continuamos a lutar por isso. Temos por perspectiva crescer mais, sobretudo no seio da juventude.
plb