Em 1976, quando eram um grupo que apenas tocava música de cópia, os Ananga – Ranga foram a atracção no Baile de Finalistas do Externato Secundário do Sabugal. A sua segunda e última actuação no Sabugal aconteceu no dia 11 de Novembro de 1979, também integrada num Baile de Finalistas. È deste concerto que trata esta crónica.

Joao Aristides DuarteNesta época os Ananga-Ranga já eram uma banda com nome consolidado na praça portuguesa.
Formados por Luís Firmino (guitarra), Vasco Alves (baixo), Necas (bateria), Manuel Barreto (teclas) e Manuel Garcia (saxofone), os Ananga-Ranga já tinham gravado dois singles e um LP, quando se apresentaram no Sabugal.
Necas tinha estado ligado ao Jazz puro e duro, tendo tocado com Rão Kyao. Era um dos melhores bateristas portugueses.
A sua música era o Jazz Rock, estilo do qual eram os representantes máximos, em Portugal. Os dois «singles» que lançaram antes do LP não tinham a ver com Jazz Rock, mas foram uma imposição da editora discográfica, para que a banda continuasse a gravar.
O Baile de Finalistas decorreu no Cine-Teatro, com lotação esgotada. Também actuaram, no Baile de Finalistas, os Spartaks, da Guarda, à época o melhor grupo de todo o distrito.
Cá fora, alguém, pertencente ao staff dos Ananga-Ranga, andava a vender os discos da banda, tendo eu aproveitado para comprar o LP.
Os Ananga-Ranga apresentaram, no Sabugal, o seu álbum intitulado «Regresso às Origens», um tratado de Jazz Rock, ainda hoje considerado como um disco fundamental de toda a produção nacional.
Todos os temas deste disco são instrumentais. Este facto não inibia os estudantes de contratar a banda para o seu Baile de Finalistas. Acho que, hoje, tal facto era considerado impossível. Por isso eu já não sei se se evoluiu ou se se retrocedeu, nesta matéria cultural.
Esta era a época em que se ia ver e ouvir r bons músicos a tocar ao vivo. Não se ia apenas pelo divertimento, como parece acontecer hoje em dia.
Ananga-Ranga no SabugalTemas como «Rockalhão», «Cúria», «Joana», «América», «Regresso às Origens» ou o longo tema intitulado «Bolero» foram tocados, impecavelmente, pelos membros da banda.
Lembro-me bem do baterista Necas, um homem que deveria pesar mais de 100 Kg, tirar todo o partido da bateria e de Manuel Barreto tocar com auscultadores, facto que eu nunca tinha presenciado em nenhum espectáculo ao vivo.
Numa determinada fase da sua actuação, os Ananga-Ranga resolveram interpretar alguns temas clássicos do Rock internacional.
Depois, Luís Firmino anunciou que quem adivinhasse o título e o autor das músicas se dirigisse ao técnico de som e teria direito à oferta de um disco da banda.
Foi assim que subi ao palco para receber a oferta do single «Fascínio», dos Ananga-Ranga, por ter adivinhado o nome da música «Can’t Get Enough» dos Bad Company. Ainda guardo esse disco religiosamente.
Outra música que os Ananga-Ranga tocaram foi adivinhada por um dos técnicos dos Spartaks, o qual também subiu ao palco para receber, desta feita o LP.
Mais tarde voltei a ver tocar o baterista Necas, num concerto de Roberto Leal, no Soito, quando os Ananga-Ranga já não existiam há muito e era necessário sobreviver como músico profissional.
Os Ananga-Ranga lançaram mais um LP, desta feita já com voz, cantado em inglês e intitulado «Privado». Pouco depois terminaram.
Luís Firmino foi para os Estados Unidos, onde ainda permanece. Manuel Barreto trabalha numa secção do «Diário de Notícias». Penso que Necas ainda toca, mas não tenho a certeza absoluta.
Nas imagens podem ver-se a capa do disco que recebi de oferta e o bilhete do concerto, que custou a módica quantia de 180 escudos.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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