Os Trovante iniciaram-se nas lides musicais em 1976, em Sagres, no Algarve. Nos anos seguintes lançaram «singles» e dois LP’s («Chão Nosso» e «Em Nome da Vida»). No início eram uma banda muito marcada politicamente e com um estilo próximo da música tradicional portuguesa, pese o facto de, hoje, estes primeiros discos sejam vistos como dentro do «progressivo», por muitos interessados.

Joao Aristides DuarteAcompanharam José Afonso na gravação do LP «Fura Fura» e fizeram uma tournée com o autor de «Grândola» por terras africanas.
O seu verdadeiro sucesso só aconteceu em 1981, com o LP «Baile no Bosque», onde o tema-título tinha uma letra que falava no lince da Malcata.
A primeira vez que vi os Trovante, ao vivo, foi na noite de 2 de Fevereiro de 1982, no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra. Gostei muito deste concerto, que estava muito próximo da Folk Music e bastante longe da Pop.
Mais tarde, vi os Trovante, ao vivo, por duas vezes, na cidade da Guarda.
O sucesso dos Trovante continuou a crescer. Após a edição dos LP’s «84», «Sepes» e «Terra Firme». A sua música adquiriu sonoridades mais Pop e foram abandonando, progressivamente a sua vertente Folk.
O seu concerto no Sabugal, inserido nas Festas de São João, teve lugar no castelo de cinco quinas.
O recinto estava a abarrotar. Foi um dos anos que vi mais gente nas Festas de S. João.
A formação da banda era a seguinte: João Gil (guitarra), Luís Represas (voz e bandolim), António José Martins (percussões), Artur Costa (saxofone), Manuel Faria (teclados), Fernando Júdice (baixo) e José Salgueiro (bateria).
Os Trovante tinham alcançado um estatuto de super banda e a sua vinda ao Sabugal foi uma aposta ganha, por parte da Comissão de Festas.
TrovanteO grupo tinha lançado, não há muito tempo, o super êxito «125 Azul». A música dos Trovante já conseguia agradar ao «mainstream». João Gil até usou guitarra eléctrica, numa boa parte do concerto, no Sabugal, quando isso era improvável, na época em que os Trovante davam os primeiros passos.
O público teve direito a todos os êxitos da banda, incluindo «Perdidamente», «125 Azul», «Xácara das Bruxas Dançando», «Travessa do Poço dos Negros» e «Tutti quanti».
Os Trovante proporcionaram um dos melhores concertos que tiveram lugar no Sabugal e que sejam do meu conhecimento.
A produção do espectáculo (som e luzes) foi, também, de cinco estrelas. Os Trovante eram profissionais a cem por cento e não descuraram nenhum pormenor.
No final, como não podia deixar de ser, houve direito a encore, já que o público assim o exigiu.
Uma situação que me deixou bastante intrigado, aconteceu após o final do concerto, quando os membros dos Trovante tiveram que ser acompanhados pela GNR para saírem dos bastidores, para fora do recinto.
Eu, que vi os Trovante na Guarda, com o público bem juntinho ao palco, sem qualquer barreira, e que os vi à noite, convivendo com as pessoas num bar da cidade, fiquei um pouco perplexo. Mas é a vida do showbiz.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com