Daniel Cohn-Bendit, foi estudante de Sociologia na Universidade de Nanterre, anarquista e revolucionário, tendo liderado o Maio de 68, o movimento estudantil mais marcante do séc. XX.

José Robalo – «Páginas Interiores»Hoje é um homem acomodado na vida, eleito eurodeputado pelo partido ecologista, com posições políticas muito moderadas, comprovando assim a veracidade da afirmação de Willy Brandt, quando dizia: «Quem aos 18 anos não é marxista-leninista não tem coração e quem, aos 30, ainda se mantém marxista-leninista não tem cabeça.»
Numa entrevista recente a uma rádio de língua francesa era ouvi-lo acérrimo defensor das políticas financeiras implementadas pelos líderes ocidentais com a compra de activos poluídos, defendendo no entanto o pensamento económico de John Maynard Keynes.
Confesso que as teorias de Keynes sempre me fascinaram, com a defesa da intervenção do Estado na economia, onde o desenvolvimento económico é visto na perspectiva da despesa, com o consequente efeito multiplicador: ao comprar, o consumidor está a dar ordens ao produtor e assim sucessivamente…
Sendo um leigo nesta ciência que é a economia, admiro os pensadores que desdobrando e desmontando os seus conhecimentos conseguem fazer com que qualquer iniciado possa aceder com facilidade a teorias que à partida são por natureza complexas, o que o novo Prémio Nobel da Economia Paul Krugman, professor na Universidade de Princeton, consegue traduzir com naturalidade.
Apoiante de Obama, Paul Krugman é partidário das teorias de Keynes defendendo uma intervenção do Estado na economia como seu regulador e estimulador.
Paulo KrugmanNo último artigo da sua autoria publicado no The New York Times, este economista deixa estas sugestões maravilhosas: «Em contrapartida há muita coisa que o Governo pode fazer pela economia. Pode aumentar as pensões dos desempregados, o que ajudará as famílias a resolver os seus problemas ao mesmo tempo que põe dinheiro nos bolsos de gente que o irá gastar… É chegado o momento de realizar infra-estruturas importantes e de que o país necessita: estradas, pontes, linhas de caminho de ferro… O que se necessita neste momento é mais despesa pública… Uma política responsável, neste momento deve dar à economia o que esta necessita. Não é o momento de nos preocuparmos com o défice.»
Vivendo em profunda recessão económica, nada melhor do que pôr o Estado a investir e a injectar energias na economia, para que num efeito multiplicador como ensinou Keynes, se combata o pessimismo, com aumento da procura e a consequente resposta da produção. O desenvolvimento económico gera-se incrementando a despesa.
Como o caro leitor pode concluir o nosso Governo tem feito o contrário, com sobrecarga de impostos, aumentando as receitas fiscais, mas diminuindo os rendimentos das famílias, encerrando serviços públicos e congelando salários e pensões.
Nas suas palavras sábias o Nobel da Economia defende precisamente o contrário, quando escreve: «Não é o momento de nos preocuparmos com o défice.»

:: :: PARA LER :: ::
«The conscience of a liberal», Paul Krugman.

:: :: PARA OUVIR :: ::
«Joseph Haydn, Die Schöpfung, The creation», Berliner Philharmoniker, Herbert Von Karajan, Deutsche Grammophon.
«Best Of», Angelo Branduardi.

«Páginas Interiores» opinião de José Robalo
joserobaload@gmail.com

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