Bernard Pivot é um intelectual francês com muito talento que me habituei a respeitar quando nos finais dos anos 70 do século passado moderava um dos programas culturais de referência na televisão francesa, de nome Apostrophes, que mais tarde veio designar por Bouillon de Culture.

José Robalo – «Páginas Interiores»Como ninguém, Bernard Pivot, soube divulgar a cultura e os livros junto do grande público. Deste autor li no ano de 2007 o Dictionnaire Amoureux du Vin, da editora Plon, onde nos dá uma demonstração de saber sobre um dos produtos mais venerados no Ocidente: o vinho. Com a leitura deste livro ficamos a saber muito mais sobre este néctar e ensinamentos de um intelectual que nasceu numa família vinhateira da região do Beaujolais e da Bourgogne.
Encontrando-nos em plena época de vindimas, sempre se dirá que o Sabugal já foi região de vinha protegida por privilégios régios. Rezam as crónicas e as Memórias Paroquiais do Sabugal editadas pela Associação Recreativa e Cultural dos Forcalhos, pela mão de Carlos Henrique Gonçalves Jorge, que «El Rey Dom Diniz, e de Dona Isabel sua mulher para que nenhuma pessoa de fora pudesse encubar vinho, nem trazê-lo à mesma vila e seu termo enquanto nela o houver de sua colheita». «Estes privilégios foram confirmados por El Rey Dom João o primeiro por carta passada em Coimbra aos 14 de Fevereiro de 1433.»
Ficamos assim a saber que o Sabugal já foi termo de produção de vinho a merecer protecção régia e enquanto houvesse produção própria nenhum estrangeiro poderia vender vinho na nossa cidade.
Pelas Memórias Paroquiais do concelho do Sabugal, ficamos ainda a saber que o cultivo da vinha caiu em desuso e em 1758, «E suposto hoje se não ache nesta vila nem em seus limites vinha alguma, há contudo memorias autenticas de que antigamente houvera muitas, pois em duas partes por donde o Rio Côa passa nesta vila por poldras, são as mais delas pesos de lagar, além de muitas outras que se acham por várias partes das ruas desta vila». Assim depois de ter sido vila vinhateira, os lagares do Sabugal foram destruídos e a pedra utilizada para calcetamento das ruas e atravessadouros no rio Côa.
Terra produtora de vinho sempre fez jus a esta actividade, porquanto nos meados desse século XVIII um alto funcionário da administração destacado nesta vila, refere-se à vida dos mais abonados que numa desaplicadíssima inacção, se dedicavam com afinco à dança, à música e ao vinho.
Sabendo nós que a produção deste néctar está dependente de vários factores como o clima, os solos e o terroir, é chegado o momento de podermos produzir vinhos com a denominação de vinho Regional das Beiras! Para tal o Diário da República, folha oficial do regime, no dia 11 de Fevereiro de 2005, através da Portaria n.º 166/2005, oficializou a produção de vinho regional das Beiras no concelho do Sabugal, conforme anexo junto a tal portaria…

Portaria n.º 166/2005 – Disponível aqui.

Obs. Agradeço ao cibernauta que me ofereceu o último CD de Bernard Lavilliers, «Samedi soir à Beyrouth».

:: :: PARA LER :: ::
«Dictionnaire amoureux du vin», Bernard Pivot, Plon.
«Memórias Paroquiais do Concelho do Sabugal», da Associação Recreativa e Cultural dos Forcalhos.

:: :: PARA OUVIR :: ::
«Carl Orff», Carmina Burana, Sony.
«Wynton Marsalis, Quartet, Live», at Blues Alley.

«Páginas Interiores» opinião de José Robalo
joserobaload@gmail.com

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