Epiménides, foi um poeta e filósofo, que se imortalizou quando afirmou que «todos os cretenses são mentirosos», sendo certo que ele próprio era cretense. Este é o célebre paradoxo de Epiménides.

José Robalo – «Páginas Interiores»Tendo vivido no séc. VI a.C., pouco chegou até nós acerca da sua personalidade e tudo o que veio ao nosso conhecimento é um pouco fantasioso, como a sua própria vida, não tendo qualquer fundamento as informações que afirmam que este filósofo podia «viajar fora do seu corpo» e que terá vivido cerca de 300 anos.
Afinal onde está a verdade e a mentira naquela afirmação? Seriam todos os cretenses uns mentirosos, ou em Creta não reinava a mentira, havendo apenas lugar para a verdade?
No próximo ano vamos tomar decisões muito importantes, sobre o nosso destino colectivo e para o bom funcionamento do nosso regime democrático. Os portugueses vão ser chamados a decidir o seu futuro, em diversos domínios da sua vida colectiva entrando naquilo a que comummente se designa por período prolongado de reflexão. Aproxima-se um tempo de pedirmos contas e de julgarmos os nossos políticos.
Como cidadão responsável que me julgo, sempre que me é possível tenho por hábito reler o programa eleitoral dos partidos, daqueles que designamos por partidos do poder e comparar a sua prática política, ou seja, tento aquilatar aquilo que nos foi prometido, com o que fizeram. Este exercício reaviva-me a memória e permite-me fugir à propaganda demagógica que se avizinha, com pequenas prendas e um alargamento do cinto, que tem como único objectivo enganar os incautos e caçar votos. Abriu a caça ao voto!
Se compararmos as promessas, com as realizações nos mais variados domínios que vão da Educação, à Justiça, passando pela Segurança e Economia, somos levados a concluir que este Governo nos mentiu, não cumprindo o programa com que foi a votos e como tal não pode merecer a nossa confiança.
Fiel ao paradoxo de Epiménides, o réu em pleno tribunal afirmava «Enquanto a minha mentira não for desvendada, continuarei mentindo». Felizmente que nos é mais fácil desvendar as mentiras dos políticos, do que o paradoxo de Epiménides!… Porque, continuava o mesmo réu, «quem for capaz de desvendar a minha mentira dirá a verdade».

:: :: PARA LER :: ::
«Uma Campanha Alegre», de Eça de Queiroz.
«A Queda de um Anjo», de Camilo Castelo Branco.

:: :: PARA OUVIR :: ::
«The Paris Concert», de John Coltrane, tão só o melhor saxo tenor da história do jazz.
Cláudio Abbado, «The Berlin Álbum», com a Berliner Philharmoniker, da Deutsche Grammophon.

«Páginas Interiores» opinião de José Robalo
joserobaload@gmail.com

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