O espaço pessoal de Américo Rodrigues na blogosfera merece, pela segunda vez, o nosso destaque. O «Café Mondego» da Guarda, infelizmente já desaparecido, foi um espaço de tertúlias e de encontros e desencontros das vidas beirãs. E porque há identidades que não se podem perder «Café Mondego» é, simultaneamente, um programa de rádio conversado com convidados e transmitido na Rádio Altitude, ao sábado de manhã, e um blogue com referências «ao programa, ao autor, mas também a assuntos que tenham relação com a Guarda».

Américo RodriguesA propósito de uma ronda pelos castelos raianos que Américo Rodrigues fez com Elomar, brasileiro do sertão, cantor, compositor, arquitecto e criador de bodes aqui deixamos a sua «crónica» sobre Sortelha e o Sabugal.

«Sortelha – A menina do turismo não está dentro do contentor, está ao sol a falar com uma vendedora de compotas. Aí vem ela. O que tem a dizer-nos sobre o Castelo?: “está tudo no folheto!”, que estende. Insistimos: “de que época é?”. Resposta: “está tudo no folheto!”. Está bem, muito obrigado. Corremos pelas ruas até ao Castelo, erguido sobre as penedias. Elomar fica rendido à imponência do Castelo, à sua “integração na natureza”, como me dirá. Sobe às muralhas, espreita a cisterna, repara na Porta da Traição. E, por fim, declara. “Eu já estive aqui! Uma canção minha passa-se neste castelo!”. Não sei o que hei-de dizer. “Não estive, mas foi como se estivesse. Reconheço este Castelo. Já o vi antes, estava na minha cabeça. È como se tivesse vivido aqui! É engraçado, como conheço tão bem estas pedras, apesar de nunca cá ter estado fisicamente!”. Mais um passo: “Eu sou doutro tempo. Eu deveria ter vivido na Idade Média”, desabafa o trovador.
Bares e restaurante fechados. O lixo esvoaça. A menina do turismo continua à conversa com a senhora das compotas.

Sabugal – Ao lado do Castelo uma rebarbadora deita chispas e faz uma barulheira ensurdecedora. Tapamos os ouvidos e entramos. No posto de turismo encontro um amigo que já não encontrava há mais de vinte anos. Paga-se para entrar no único castelo de cinco quinas de Portugal. O funcionário quer saber de onde é Elomar e acompanhantes, por causa das estatísticas. No final, Elomar promete enviar-lhe por correio um chapéu do sertão. O Zé Luís levanta-se, dirige-se a um mapa e explica a importância daquele e de outros sítios. Voz habituada, discurso na ponta da língua. Entramos e Elomar sobe à Torre a que eu não subo por causa das vertigens. Elomar comenta com o filho que ali era o sítio ideal para um concerto deles. Visita rápida. Elomar: “Este já tem muita a intervenção recente, já não é o original!”.
Pausa para almoço num restaurante, que ostenta o nome de um “colega” (palavras do próprio) de Elomar: D. Dinis, o trovador.»

Houve, ainda tempo, para conhecer Belmonte, Almeida, Castelo Bom e Castelo Rodrigo. A visita à Casa do Castelo, no Largo do Castelo do Sabugal, ficou prometida para uma próxima oportunidade.
O texto integral pode ser lido aqui.
jcl

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