No dia 11 de Agosto de 1997, a Brigada Victor Jara deu um dos melhores concertos a que assisti em toda a minha vida, em Aldeia do Bispo.

Joao Aristides DuarteA Brigada Victor Jara pode considerar-se, sem sombra de dúvidas, um dos representantes máximos da recriação da música tradicional portuguesa, dando toques de modernidade a uma música ancestral. Surgida em 1975, em pleno PREC, começou por interpretar clássicos de cantores de intervenção latino-americanos, até que descobriu a música da Beira-Baixa e se dedicou à recolha e tratamento com novas roupagens, da música tradicional. No entanto, o nome original, uma homenagem ao cantor chileno Victor Jara, assassinado pelos «golpistas» de Pinochet, ficou.
Já tinha visto a Brigada Victor Jara em concerto na «Festa do Avante» e no Soito (em 1989), mas o espectáculo de Aldeia do Bispo encheu-me as medidas.
O espectáculo começou com o tema «Campanitas de Toledo», do álbum «Danças e Folias», que tinha sido, recentemente editado.
Seguiu-se a mais conhecida «Cana Verde» e, a partir deste tema, o público presente rendeu-se à música da banda de Coimbra.
Nesse ano a Brigada completava 22 anos de carreira e o seu concerto em aldeia do Bispo percorreu o reportório de quase todos os seus discos. O concerto teve a duração de 1h 55 minutos.
A banda (e ainda é) formada pelos seguintes músicos: Manuel Rocha (violino), Aurélio Malva (gaita-de-foles, guitarra e voz), Rui Curto (acordeão), Arnaldo Carvalho (percussão), Ricardo Jesus Dias (piano e outras teclas), Quim Né (bateria), José Tovim (baixo) e Luís Garção (viola e viola beiroa).
Brigada Victor JaraJunto ao palco a juventude estava muito animada. Curiosamente, tirando um ou outro entendido nestas coisas, a grande maioria do público desconhecia por completo este agrupamento.
No alinhamento do concerto seguiram-se os temas «Marião», «Donde Vás» e «Mi Morena». Muitos dos temas da Brigada são originários de Trás-os-Montes e cantados em mirandês ou, mesmo em castelhano.
A comunicação com o público atingiu o auge em temas como «Pezinho da Vila», onde Aurélio Malva até cantou em americano e «Baile Mandado», com Luís Garção a cantar e encantar.
Houve ainda lugar para «Vira Velho», um popularíssimo tema do Minho. Outro momento alto foi quando Ricardo Dias (que tinha uma perna partida e usava muletas), largou o piano e dançou, tocando paulitos, com os outros membros, no tema «Lhaço de Ofícios».
O público pediu, por 3 vezes, o regresso da banda ao palco, após o fim do alinhamento normal e os músicos regressaram sempre.
É raríssimo haver um espectáculo onde se realizem três encores, mas foi o que aconteceu neste concerto, daí a inclusão na categoria dos míticos.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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