«A verdade é a que é, e segue sendo verdade ainda que se pense o contrário», António Machado.

António EmidioEstamos numa fase que se caracteriza pela tendência de nos ocultarem a verdade.
O leitor(a) já reparou que os governantes prometem todo o contrário daquilo que na hora da verdade fazem? Nas últimas eleições legislativas em Portugal, o partido vencedor disse-nos durante a campanha eleitoral que iríamos entrar numa economia de mercado marcadamente neoliberal em que os sacrifícios e sofrimentos da gente comum serviriam para aumentar os lucros de um grupo de privilegiados? Ou que uma sociedade como a portuguesa, solidária e em que havia ajuda mútua, se transformaria num campo de batalha social e profissional em que lutaríamos todos contra todos? Nada disso nos disseram, antes pelo contrário, fizeram-nos acreditar que iríamos entrar no paraíso e que o maná cairia do Céu para todos nós sem excepção.
E que dizer das razões invocadas pelo senhor Bush II para invadir o Iraque e matar até agora quase um milhão de iraquiianos? Ele que se diz o paladino da liberdade e da democracia, e também defensor dos povos oprimidos!
É esta a «sociedade aberta» que a toda a hora os administradores da democracia nos mostram em grandes exercícios de demagogia e retórica.
É com estes procedimentos que a democracia está cada vez mais desacreditada e vai conduzindo à despolitização. O cidadão comum sente-se frustrado, vai-se afastando e deixa a política para os capazes de deslumbrar os cidadãos com as suas patranhas.
Não há regra sem excepção. Há honrosas excepções por parte de homens e mulheres que não dissociaram a ética da política e que o seu fim não é outro senão promover o bem comum.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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