Na década de 60 um grupo de emigrantes do Soito que tentavam ir «a salto» para França ficaram presos em Espanha.

Emigrantes do Soito

As condições económicas e sociais no Portugal dos anos 60 (salários de miséria, Guerra Colonial, agricultura de subsistência), levaram à emigração (quase sempre ilegal) de mais de 60 por cento da população do concelho do Sabugal. Chamava-se a isso passar a fronteira «a salto», isto é, sem passaporte que aliás, era recusado pelo regime da época a quase todos o que o requisitavam.
Havia os «índios» e os «passadores». Os «índios» eram os que tentavam emigrar e os «passadores», os que ajudavam, a troco de uma remuneração, os outros a passar.
Em Portugal, a PIDE perseguia os candidatos à emigração «a salto». Quando algum era apanhado tinha cometido o crime de emigração ilegal. O que o tinha ajudado, a troco de algum dinheiro, era acusado de cometer o crime de engajamento.
Na fotografia podemos ver um grupo de emigrantes, naturais do Soito, que pretendiam emigrar para França, no início dos anos 60.
Perseguidos pela Guardia Civil, em terras de Espanha, os presentes na imagem, foram presos e levados para um calabouço, onde um agente policial tirou esta fotografia que, mais tarde, ofereceu a um dos emigrantes.
Os que estão com a boina são os «passadores», neste caso espanhóis. Os restantes são todos do Soito.
Desta vez não conseguiram os seus intentos. Todos eles tentaram outra vez e conseguiram.
João Aristides Duarte

Anúncios