A colecção arqueológica do Museu Municipal do Sabugal está agora referenciada num excelente catálogo, de manifesta qualidade gráfica e de rigorosa informação escrita, editado pela Câmara Municipal do sabugal e pela Pró-Raia (Associação de Desenvolvimento da Raia Centro-Norte).

O admirável catálogo abre com uma breve apresentação, assinada pelo presidente do Município, Manuel Rito Alves, e do presidente da empresa Sabugal+, Norberto Manso, que justificam a publicação e realçam a importância dos que contribuíram para que a exposição tenha o elevado nível que de facto possui.
De primorosa apresentação e notável organização, o Catálogo apresenta o inventário fundamental do museu, dividindo-se por épocas históricas. Para cada uma delas apresenta o acervo da exposição, antecedido de uma breve descrição acerca do respectivo enquadramento histórico.
As fotografias das diferentes peças surgem sobre fundo negro, tratadas com a devida luminosidade, mostrando ao pormenor a sua composição e configuração. Ao lado das peças a respectiva legenda, indicando o tipo de objecto, a sua origem temporal e espacial, as suas medidas e uma breve descrição.
Sobre a Pré-história revela-se a importância dos achados que confirmam uma posição importante do concelho no contexto regional, pois os povos dessa época fixaram-se muito no vale do Côa. Do acervo destacam-se pontas de setas, fragmentos de lâminas e de cerâmicas, machados, escopros e enxós dos períodos calcolítico e da idade do bronze.
Quanto à Proto-história, revelam-se achados da idade do bronze final e da idade do ferro, oriundos de todo o concelho, especialmente dos antigos povoados do Castelejo (Sortelha), Serra Gorda (Águas Belas), Sabugal Velho (Aldeia Velha) e Cabeço das Fráguas (Pousafoles). Destacam-se fragmentos de cerâmicas, moldes em pedra, machados de bronze, moinhos manuais e estelas de granito.
Já quanto à Época Romana, expõem-se os vestígios do período em que a Península Ibérica esteve integrada no Império Romano, época de grandes evoluções, o que é bem visível na qualidade das diferentes peças, sobretudo oriundas de antigos povoados e locais de preces e libações. O acervo tem em destaque artefactos de decoração, colunas e capitéis em pedra trabalhada, fragmentos de cerâmica, pesos de tear, mós de moinhos, moedas de bronze com a esfinge de imperadores romanos, aras votativas de granito.
Quanto à Época Medieval, a mesma aparece dividida em dois períodos: o de sujeição a Leão e o da integração na coroa portuguesa. Curioso é o texto de enquadramento do período do reino de Leão, que surge em língua castelhana, certamente que melhor assinalar que se fala da época imediatamente anterior a Alcanizes e á inclusão da margem direita do Côa no território português. No acervo do período medieval pontuam fragmentos de cerâmica, ferraduras, moedas de cobre e de bolhão, pedras de armas, pontas de lanças e de virotes, estelas, pedras tumulares.
O catálogo termina com a referência à Época Moderna, apresentando-se peças arqueológicas de variadas origens. Destacam-se aqui os forais das antigas vilas acasteladas, moedas de diferentes reinados, brasões, esculturas, medalhas, anéis, fragmentos de faiança e de cerâmica, sabres, pedaços de pelourinho, e até uma garrafa de água mineral captada nas antigas Aguas Rádium do Casteleiro.
Os textos de enquadramento foram primorosamente escritos por André Tomás Santos, Raquel Vilaça, Pedro C. Carvalho, Iñaki Martín, Luís Repas e Miguel Soromenho. Os textos do catálogo (legendas das peças) são de Marcos Osório. O excelente design gráfico é de Horácio Tomé Marques.
Um catálogo que em boa hora foi elaborado e editado, porque por si só prestigia a colecção do museu, evidenciando o seu valor fundamental.
Um trabalho destes, em termos de qualidade gráfica e de rigor informativo, foi certamente resultado de muitos empenhos, especialmente dos funcionários afectos ao Museu, pelo que para esses vai também o nosso reconhecimento.
plb

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