Na borda estrada entre o Sabugal e a Guarda existe, no cruzamento da Lomba, uma casota branca, de singelo estilo, que serve de abrigo para quem espera pela carreira. Contamos aqui a curiosa história desta construção, que ali existe há cerca de 50 anos.

Abrigo da paragem de autocarro da LombaEm meados da década de 1950 a Junta de Freguesia da Lomba de Palheiros, pequeno povoado do lado Norte do concelho do Sabugal, decidiu construir um abrigo que servisse também de «espera» para os habitantes da freguesia que necessitavam de apanhar a carreira junto à estrada nacional, com destino ao Sabugal ou à Guarda. As chuvas e o vento frio no Inverno e a forte torreira do sol no Verão, justificavam a obra, que iria contribuir para amenizar o sofrimento das pessoas que ali aguardavam pela camioneta da «Viúva Monteiro».
A obra foi entregue a Joaquim Marques de Vale Mourisco, homem que ao tempo trabalhava na construção de casas. Tinha sido emigrante em França, ainda antes da 2ª Guerra Mundial, e conhecia técnicas novas de construção nunca vistas em Portugal, pelo menos pelas nossas terras. Pensou pois em usar esses conhecimentos, decidindo construir o casoto em blocos de cimento. Como não os havia no mercado decidiu fabricá-los, usando moldes de madeira, que ele mesmo fez.
Na margem da ribeira, na Junta das Águas, instalou os seus moldes que encheu de cimento amassado com a areia existente no local. Resultaram uns blocos maciços e estreitos, que depois assentou na obra, assim erguendo as paredes. Para telhado da graciosa casota rectangular de duas águas, fez também placas de cimento, onde escreveu em relevo a palavra LOMBA.
A original paragem de autocarro ainda hoje se mantém, intacta e resistente, sendo mesmo uma das imagens de marca da pequena freguesia, cuja população continua a servir. Teve porém de ser construída algo afastada da estrada, por na altura a Junta Autónoma de estradas não ter autorizado a sua edificação no lugar onde de facto deveria de estar, enquanto paragem de autocarros. A lei 2037 de 19 de Agosto de 1949, no seu artigo 10º, dispunha que qualquer construção apenas poderia ser erguida a 12 metros além da valeta das estradas de 2ª classe. E aqui a lei teve de ser rigorosamente cumprida, mesmo tratando-se da construção de um abrigo para quem esperava por transporte rodoviário.
plb