Setembro vai ser o mês da «viragem» para as Termas do Cró com o arranque das obras de construção do edifício-balneário do complexo termal. As qualidades terapêuticas das águas foram confirmadas com o despacho ministerial assinado no dia 3 de Março de 2008 e publicado a 18 de Março no «Diário da República».

Termas do CróEm recente entrevista ao jornal «Nova Guarda» o Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Manuel Rito, confirmou o arranque das obras do balneário do complexo termal do Cró durante o mês de Setembro de 2008.
Obra fundamental na estratégia de revitalização e reaproveitamento da marca «Termas do Cró» com o objectivo de alargar a sua frequência a utilizadores além-limites do concelho do Sabugal.
As Terma do Cró dispõem, actualmente, de um balneário provisório que tem vindo a ser utilizado para tratamento de problemas reumáticos e musculo-esqueléticos.
As técnicas utilizadas consistem em duche de jacto, vapor parcial à coluna, banhos de imersão simples, de imersão com bolha de ar e de imersão com hidromassagem. Os tratamentos das vias respiratórias são feitos com irrigação nasal, nebulização e aerosol.
A época termal de 2008 teve início com o primeiro turno (2 a 14 de Junho) e termina com o 13.º turno entre 17 e 29 de Novembro. Até lá estão ainda calendarizados o 8.º turno (8 a 20-9), 9.º (22-9 a 4-10), 10.º (6 a 18-10), 11.º (20 a 31-10) e 12.º turno (3 a 15-11).
Uma equipa de funcionárias camarárias, supervisionada por Felismina Rito, garante o programa «Saúde & Bem-estar» e todo o apoio durante as consultas que funcionam de segunda a sábado, das 8 às 16 horas.
A água, com características sulfúrica sódica, do tipo das sulfúreas, fracamente mineralizada, doce, com reacção muito alcalina e sob o ponto de vista iónico designa-se por bicarbonatada sódica, carbonatada, fluoretada e sulfidratada. Regista 23º a 30 metros de profundidade e o povo diz que a água «cheira a ovos podres» e tem um sabor «estranho e desagradável que só por obrigação é bebida». A sua utilização é muito antiga e os registos históricos indicam um pedido de concessão em 1909 acompanhado de um relatório com a análise química da água da nascente por Bonhorst. Nesse tempo os aquistas acampavam nos lameiros junto à Ribeira do Cró (afluente da margem esquerda do Rio Côa) também conhecida por Ribeira do Boi, traziam as banheiras de casa e aqueciam a água dos banhos com fogueiras de lenha apanhada nas redondezas.
A 13 de Julho de 1912 foi atribuído o alvará de concessão e a 30 de Janeiro de 1922 foi considerada abandonada. A Empresa Balnear do Cró retomou a actividade a 5 de Novembro de 1936 para nova declaração de abandono, oito anos mais tarde, a 5 de Julho de 1944.

Registo histórico para o dia 8 de Setembro: Joaquim Manuel Correia relata no seu livro «Memórias do Concelho do Sabugal» que «concorre ali muita gente, atraída pela fama destas águas». (As termas eram frequentadas por pessoas dos concelhos do Sabugal, Guarda, Penamacor, Almeida, Pinhel, Castelo Rodrigo e até de Espanha). Dá também a conhecer que «cada banho custa 50 reis, módico preço, atendendo à falta de combustíveis, carvalho, giesta, carvão e lenha de pinho ou amieiro». Já em relação à taxa de utilização, aponta números curiosos: «Em 8 de Setembro de 1885 contámos no Cró 180 pessoas e em igual dia de 1893 contámos 240 e 300 em 1896.»

As inscrições podem ser feitas na Câmara Municipal do Sabugal (tel. 271751040), Biblioteca Municipal (tel. 271 752 230) ou nas Termas do Cró (tel. 271 581 818).
jcl