No dia 15 de Agosto, por ocasião das festas de Pêga, freguesia do distrito da Guarda, Célio Rolinho Pires fez a apresentação pública da monografia da sua terra de nascimento e de vivência. O salão da Junta de Freguesia encheu-se de gente para assistir a um momento impar para Pêga, que foi o culminar de um longo e exaustivo trabalho de investigação.

Maria Augusta, Virgilio Bento e Célio Rolinho PiresO livro, intitulado «Pêga – Terra de Panchurras», é um olhar profundo à história de uma terra antiga, cujo povo viveu durante séculos em pura comunidade. Aldeia de lavradores, pastores, padeiros e almocreves, Pêga foi sempre terra de referência no âmbito regional. Há vestígios dos povos da antiguidade em variados locais do seu termo, foi ponto de passagem de primeira importância, era local de basta produção de gado ovino e seus sucedâneos e celeiro de abastecimento aos povos em redondo. Em suma, esta terra de pastores (pegureiros) e de ovelhas (churras) teve grande relevância histórica, daí a importância deste profundo trabalho literário, que enriquece o acervo bibliográfico das terras beiroas.
Na simbólica cerimónia estiveram presentes, ladeando o escritor: Virgílio Bento, vice-presidente da Câmara da Guarda, Padre Morgado, pároco da freguesia, Crespo de Carvalho, escritor e pensador da Guarda, e Maria Augusta Carvalho Martins, veneranda mulher da terra, amiga íntima do autor, a quem coube apresentar a obra literária.
Virgílio Bento destacou a importância da salvaguarda da memória: «é a memória que nos permite construir a nossa identidade. Sem ela não teríamos capacidade de aprendizagem daí a importância da obra literária de Célio Rolinho Pires, que vai agora no seu quinto livro dedicado à salvaguarda da memória das nossas terras».
Crespo de Carvalho revelou que se apaixonou pela «teoria das pedras»: «O professor Célio tem a coragem de olhar, ver, meditar e daí tirar conclusões, sendo um verdadeiro cientista e historiador».
Por sua vez, Maria Augusta Martins falou ao coração dos conterrâneos.
«Só um homem que conhece bem a nossa terra é capaz de escrever o que ele escreve. Uma vez perguntei-lhe:
– Ó Célio. Como é que te metes-te nesta história das pedras?
E ele respondeu-me:
– Foi por acaso. Vi pedras de variados feitios que apareciam em locais diferentes e daí meditei em como é que tal podia acontecer. Descobri que isso tinha algum significado, e assim nasceu o estudo das pedras.
Estou de acordo com as teorias que ele nos tem revelado. Há coisas com verdadeiro sentido histórico que é preciso revelar ao mundo. E eu vou mais longe: é necessário que esses achados não se percam. As figuras rupestres de Foz Côa foram protegidas, e ainda bem, mas nós também aqui temos coisas que devem ser preservadas porque as pessoas, mesmo sem quererem, podem destruir o património que as nossas terras guardam.»
O autor fechou os discursos de circunstância. O seu grande objectivo é honrar a terra e todos os que nela nasceram. Um livro pressupõe um plano de longo prazo, que amadurece e fica pronto para vir a público. Mas aqui não pode haver pressas. Como um puzzle, as suas peças têm de encaixar perfeitamente.
«Atrevo-me a dizer que as palavras, as frases, os temas, os subtemas que integram o livro são como as componentes de um automóvel. Tudo funciona em interdependência e complementaridade para que o veículo se mova e nos leve, pois é essa a sua função».
Para Célio Rolinho Pires «Pêga – Terra de Panchurras» é sobretudo um livro de afectos:
«Por isso este livro não é meu nem é de ninguém em particular, é dos Pires, dos Rolinhos, dos Mateus, dos Adriões, dos Canários, dos Álvares de Almeida, dos Canhotos, dos Gregórios, dos Esteves, dos Monteiros, dos Gonçalves, dos Fernandes, de todos. Daí a necessidade de o dar a conhecer e o devolver aos verdadeiros donos».
A obra apresenta um mapa, que pretende ser um roteiro de alguns vestígios históricos que existem na freguesia, mas o autor avisa: «não se admirem se ao procurarem fazer o percurso em caminhos milenares não conseguirem passar. Não se espantem ainda se alguns dos vestígios já lá não estiverem. Há coisas que sendo de todos não são de ninguém mas há quem não pense assim!».
plb

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