Pousafoles do Bispo – Pisaflores pode ter sido, segundo o corógrafo Pinho Leal, o nome original da freguesia em virtude de ser usual os «moleiros pousarem ali os foles ou ôdres de farinha». Para outros o nome deriva da exploração a pouca distância de minas e da consequente necessidade de pousar os foles dos metais extraídos. Destacando-se na paisagem o Cabeço das Fráguas (ou das Fráugas) é um miradouro natural digno de visita. Noutros tempos foram famosos os chapéus de modelo raiano fabricados em Pousafoles que os nossos pais e avós usaram como sinal de respeito e presença. É digno de visita o «pub amarelo» de Dona Leonor.

A freguesia de Pousafoles do Bispo (acompanhada pela Sobreira, Lameiras de Cima, Lameiras de Baixo e Monte Novo) aparece no limite Noroeste do mapa do concelho do Sabugal. Há uma outra Pousafoles situada no concelho de Mirando do Corvo, no distrito de Coimbra. Registos antigos afiançam que Pousafoles (do Sabugal) era foreira do Conde de Miranda do Corvo e estava obrigada a pagar-lhe quarenta fangas* de centeio e seis galinhas.
Pousafoles do Bispo pertenceu originalmente ao concelho da Guarda mas o foral de Sortelha faz-lhe referência dentro dos seus limites até à sua extinção em 1851 tendo sido, então, integrada no concelho do Sabugal.
Nos tempos em que o chapéu fazia parte das indumentárias de trabalho e domingueira as fábricas de Pousafoles ganharam fama. Os típicos chapéus raianos fabricados na aldeia eram tidos e preferidos como os melhores à venda nas feiras e nos mercados.
Actualmente destacam-se, pelo seu realismo, as procissões da Festa do Senhor dos Passos, no sábado à noite e no domingo de Ramos com missa em homenagem a Nossa Senhora das Dores e a São João.

Pousafoles do Bispo

Na nossa viagem pelas terras do concelho do Sabugal vamos reportando os equipamentos sociais à disposição das populações construídos ou recuperados pelas Juntas de Freguesia por delegação de competências, transferência de verbas e apoio complementar da Câmara Municipal do Sabugal.
Em 1998 as transferências para a responsabilidade das freguesias registaram cerca de 80 mil contos. Actualmente o Município transfere para as 40 Juntas de Freguesia um milhão de euros de verba de capital e 500 mil euros para serviços de limpeza.
A visita à freguesia iniciou-se por Monte Novo, uma anexa que dista cerca de 500 metros de Pousafoles do Bispo.
Em terras de grandes latifundiários (as famílias Tormentas e Cavaleiros) foi recuperado mantendo o estilo próprio da região raiana um edifício para sede da Associação «Amigos de Monte Novo» que conjuntamente com a Associação Cultural Desportiva e Humanitária Pousafoles do Bispo e Associação Desportiva de Caça e Pesca de Pousafoles mantêm unidos associativamente os pousafolenses.
Foram, recentemente, colocados ao serviço do povo depois de recuperados pela Junta de Freguesia com o apoio do Município do Sabugal os fornos comunitários de Monte Novo, Sobreira, Lameiras de Cima, Lameiras de Baixo e Pousafoles.
O executivo da Junta de Freguesia de Pousafoles do Bispo é constituído por José Carlos Jarmela Tomás (presidente), Francisco Pires Costa Paula (secretário) e José Gonçalves Simão (tesoureiro).
Em Pousafoles foi recuperada a sede da Junta da Freguesia, o auditório, a biblioteca, a cozinha e o salão de festas que ficou, assim, transformado em Centro Cívico. O arranjo dos espaços exteriores incluíram o rejuvenescimento do coreto da praça.
A freguesia de Pousafoles do Bispo é agradável à vista do forasteiro registando na memória visual uma aldeia raiana muito «arrumadinha».

E porque falámos de visitas e visitantes aqui fica um conselho ao jeito de obrigação. Quando for revisitar Pousafoles entre no «pub amarelo» da Dona Leonor. Fica junto à Igreja Matriz escondido pelo imponente campanário. Composto por dois espaços ligados por uma porta interior mantém todos os armários e prateleiras que nos habituámos a ver quando eramos crianças. As balanças com os diversos tipos de pesos, as gavetas para o feijão e o grão com as respectivas medidas, as fotografias que recordam familiares, preciosidades agrícolas e históricas, enfim, um museu particular aberto ao público. «Sim! Já tive alguns problemas para conseguir manter a casa aberta. Mas vou lutar até ao fim. É uma questão sentimental em memória dos meus pais. A minha mãe tem 90 anos.», disse-nos a proprietária. Fomos testemunhas da vontade de Manuel Rito, Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, de apoiar um processo de atribuição de um licenciamento que permite manter aberta esta casa-museu como memória-viva de tempos que já não voltam. E… antes que voltem os profissionais do «politicamente hermético».
* Fanga – Medida de quatro alqueires.
jcl

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