Mais de dez mil milhões de euros (dois mil milhões de contos, na moeda antiga) é quanto custará a construção do novo aeroporto do Montijo e o comboio de alta velocidade (TGV). É muito dinheiro (mesmo muito dinheiro!) que dava para levar a cabo muitos projectos que transformariam, por exemplo, o Interior do país numa região desenvolvida e habitada.

Joaquim RicardoNos últimos tempos tem-se discutido muito sobre os efeitos milagrosos e salvadores da nossa economia provocados pela construção do novo aeroporto, no Montijo, e da construção da rede de alta velocidade (TGV), que irá ligar as cidades de Lisboa a Madrid e ao Porto e desta à Galiza, em Espanha. Os defensores do não ao investimento, (os do contra!) argumentam que o país tem outras prioridades, onde aplicar tão avultados investimentos e mais vantajosas para todos. Ao contrário, os que criaram e defendem aqueles projectos dizem que a sua construção irá colocar Portugal no pelotão da frente dos países desenvolvidos e por isso imprescindíveis ao desenvolvimento do país. Enfim, para o Governo o país precisa destes dois projectos para não se atrasar mais, ao passo que os do contra, o país tem outras prioridades para aplicar tão importantes recursos (mas não dizem quais!) e que a concretizarem-se deixarão as futuras gerações endividadas e não se sabe mesmo se daqui a vinte ou mais anos, o país terá recursos para continuar a pagar tão avultada dívida.
Aqueles dois projectos custarão mais de dez mil milhões de euros (dois mil milhões de contos, na moeda antiga). É muito dinheiro (mesmo muito dinheiro!) que dava para levar a cabo muitos projectos que transformariam, por exemplo, o interior do país numa região desenvolvida e habitada e, desta forma combater o maior problema com que se debate toda aquela parcela do território: a desertificação. E este sim, seria o melhor sinal de seriedade demonstrado pelas autoridades governativas para resolverem aquele problema e ao mesmo tempo e desta forma, impulsionar a distribuição mais equilibrada da população portuguesa ao longo do seu território.
Para além do exposto, julgo que os equipamentos objectos da presente análise terão uma rentabilidade menor do que aquela que nos querem fazer crer, senão vejamos: O comboio de alta velocidade (TGV) que irá ligar Lisboa ao Porto, somente ganhará, cerca de 15 minutos, em relação ao actual comboio de velocidade média – o Alpha pendular. Ora, pagar tantos milhares de milhões de euros por quinze míseros minutos é, francamente, uma barbaridade que só a quem não custa pagar interessa levar a cabo para ganhar mais alguns votos! E quanto às restantes ligações a rentabilidade será semelhante. Já quanto à construção do novo aeroporto, julgo que o actual (o da Portela), poderia suportar o tráfego aéreo por mais alguns anos, mesmo que com o recurso a alguns investimentos, até porque o tráfego aéreo tende a reduzir drasticamente face à escalada de preços do combustível a que estamos a assistir e que não se vislumbram outros cenários no futuro.
Por tudo quanto ficou dito, não poderei estar mais de acordo com o Senhor Presidente da Assembleia da República, Dr. Jaime Gama, ao propor ao plenário que dirige, uma reflexão aprofundada sobre os investimentos que estão projectados, já que serão as futuras gerações as responsáveis pelo seu pagamento e, por isso, terão que ser seria e rigorosamente bem justificadas antes da sua realização.
«Ideias Soltas», opinião de Joaquim Ricardo

dr_jfricardo@hotmail.com

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