Baraçal – Originalmente pertencia a Vila Touro mas foi constituída freguesia por decreto de 9 de Setembro de 1904 na sequência de um movimento que ficou conhecido por «Apartação». Por resolução do Presidente do Conselho de Ministros, Ernesto Rodolpho Hintze Ribeiro, o Baraçal, a Quinta das Vinhas, a Moita e Roque Amador separaram-se da freguesia de Nossa Senhora da Assunção do Touro como era então conhecida a Vila Touro. A freguesia do Baraçal inclui três anexas: Quinta do Roque Amador, Quinta dos Moinhos e Quinta das Vinhas. Dista cerca de sete quilómetros do Sabugal e tem como vizinhas a Rapoula do Côa, Rendo, Quintas de São Bartolomeu e a atrás citada Vila Touro.

Baraçal

Uma das intervenções recentes (depois de 2001) protagonizadas pela Junta de Freguesia, presidida por Luís Carlos Carreto Lages, incluiu o recinto de festas da aldeia localizado junto a mais um bonito fontanário do concelho.
Sofreram, igualmente, obras de melhoramentos os edifícios da Junta de Freguesia e da antiga escola primária transformada em sede da associação com balneários e afins. As intervenções foram geridas pelo executivo da Junta por delegação de competências, atribuição de verbas e comparticipação da Câmara Municipal do Sabugal. O destaque vai inteirinho para a reabertura do ensino básico da freguesia com 10 alunos. É a grande notícia num concelho onde infelizmente a normalidade está no encerramento dos estabelecimentos de ensino.
Aproveitámos para conhecer o Centro de Dia do Baraçal inaugurado àcerca de cinco anos e a funcionar na antiga sede da Junta de Freguesia. As três colaboradoras do Centro prestam apoio domiciliário aos idosos da freguesia mas «os que podem vêm aqui para se distrairem uns com os outros» esclarece-nos a dona Josefina. «Tratamos da roupa e fornecemos entre 15 e 20 almoços e jantares diariamente», acrescenta ainda.
Um moderno equipamento informático destaca-se no mobiliário modesto. «É o computador da Pró-Raia que faz parte do projecto avósn@net» elucida-nos a funcionária.
Por perto estava um dos utentes do Centro, Joaquim Martins, de 47 anos, que deu «o nome para a tropa» no mesmo ano do Presidente Manuel Rito, que nos acompanhou nesta vista ao Baraçal. Logo ali se criou uma grande empatia entre os dois recordando momentos que lhes ficaram gravados na memória.
Sentimos, contudo, a desertificação das nossas aldeias. As ruas estão desertas, as soleiras das portas não têm ninguém e até o «vivo» parece ter desaparecido. Estranhas e perturbantes sensações reflectidas nas frias paredes de pedra que escondem as lareiras há muito apagadas.

Aproveito, também, para recordar um episódio da minha infância. Um dia cai de uma cerejeira, desloquei o ombro e não conseguia mexer o braço. A minha mãe pegou em mim e levou-me até ao Roque Amador a um dos mais afamados «indireitas» que o concelho já teve e de que, infelizmente, não recordo o nome. Fez-me umas manigâncias ao braço, colocou-me uma vima cor-de-vinho com buracos e mandou-me embora não sem antes nos dar uma recomendação. A viagem de volta devia ser feita a pé porque os movimentos do burro não ajudavam à cura. O povo dizia que tinha dons especiais. E devia ser verdade porque a vima descolou pouco a pouco e… pouco a pouco o meu ombro voltou ao normal.
jcl