Quem se esconde por detrás dos seus medos, não merece a compaixão da sociedade. Ou quem se esconde no silêncio das suas ideias (?) não merece o reconhecimento de alguém e atrevo-me a chamar-lhe egoísta por não as compartilhar com os demais!

Joaquim Ricardo («Ideias Soltas»)Após um prolongado interregno, volto ao convívio dos «bloguistas» do Capeia. Não vou aqui, em delongas, dizer as razões deste meu silêncio. Acho, em última análise, que todos temos o direito ao silêncio, à meditação e porque não, até à tão indesejada preguiça?
Uma pausa no nosso quotidiano faz-nos bem: seja para simplesmente mudar de ares, ou para gozar umas pequenas férias, ou para olharmos a reacção de quem nos habituou com a sua companhia de leitor, ou daqueles que nos criticam sem nunca nos terem lido ou ouvido, ou até para meditarmos sobre o caminho percorrido e do caminho que faltou percorrer, ou dos atalhos que trilhamos e das pedras que se nos atravessaram à nossa frente, ou do «ambiente» que nos cerca e das razões da sua existência, ou daquilo que dissemos e daquilo que deixamos de dizer, ou do modo como agimos e dos resultados obtidos desse comportamento, ou da forma como somos tratados e de como gostaríamos de o ter sido, ou da forma como somos olhados e da maneira que gostaríamos de sê-lo. Enfim, uma pausa serve para muita coisa ou até para nada. Serve pelo menos para quebrar uma rotina e esta é inimiga da meditação profunda. O hábito torna as pessoas prisioneiras da rotina. O silêncio refina os hábitos passados e sobre os futuros exige-se outro trato até que de repente se regressa e voltará tudo a ser rotina.
A coragem de escrever e de expor as suas ideias, de dar conselhos, de inventar soluções, de projectar o futuro, de ter projectos, de ter ideias, de não ter medo da crítica, de não ter medo de ser falado, de não ter medo de perder pontos, de não ter medo de ser reconhecido no passeio, de não ter medo de ser visto seja com quem for, de não ter medo de expressar-se, de não ter medo de cometer erros de escrita, de não ter medo de perder oportunidades, de não ter medo de criar inimizades pela exposição da sua opinião, de não ter medo de ficar sozinho, de não ter medo que zombem de si, de não ter medo de ser comentado na praça pública, de não ter medo de ser visto na companhia dos seus amigos, de não ter medo de gostar das pessoas que o estimam, de não ter medo de visitar os amigos e da tradicional fotografia, de não ter medo de saborear um «pitéu» ou uma bela «cervejola» na companhia de quem se gosta, de não ter medo do medo de ser reconhecido como pertença de alguma ideologia, de não ter medo de expor as suas convicções políticas, de não ter medo do trabalho, de não ter medo de quem não nos ouve, de não ter medo dos nossos adversários, de não ter medo da crítica, enfim! Não ter medo do medo!
A nossa passagem, tem que ter um sentido, uma direcção e isso implica correr riscos. Não podemos querer agradar a gregos e a troianos. Somos aquilo que somos e é isso que devemos mostrar a toda a gente sem receios de uma eventual crítica. Quem se esconde por detrás dos seus medos, não merece a compaixão da sociedade. Ou quem se esconde no silêncio das suas ideias (?) não merece o reconhecimento de alguém e atrevo-me a chamar-lhe egoísta por não as compartilhar com os demais. Ou então será legítimo pensarmos que de ideias estará vazio? Podemos não agradar a todos mas só com a divulgação dos nossos ideais, dos nossos projectos, dos nossos sonhos, das nossas propostas poderemos ser julgados. E quem ousa não ser criticado?
Termino esta minha «Ideias soltas» com uma proposta: Arrisquem-se a divulgar as vossas ideias e os projectos por que lutam. Compartilhem-nas, sejam corajosos! Não tenham medo do medo!
«Ideias Soltas», opinião de Joaquim Ricardo

dr_jfricardo@hotmail.com

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