A indisposição veio da leitura de um artigo de um professor universitário, creio que antigo ministro sobre a visita que os bispos portugueses fizeram ao Santo Padre.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalDiz o ilustre autor que o Papa convidou os bispos portugueses para uma «visita in limine».
Em primeiro lugar, a designação de tal visita é: «ad sacra limina (Apostolorum)», quer dizer «visita ao limiar (sepulcros) dos Apóstolos». É a designação mais comum, ainda que o cânone n.º 400 do Código de Direito Canónico reze «ad Urbem, Beatorum Apostolorum Petri et Pauli sepulcra».
Quanto ao ser o Papa a convidar, é afirmação em fundamento. O Papa não tem de convidar os bispos a efectuarem tal visita. São os bispos que têm de tomar a iniciativa para obterem a data da audiência e da visita. Assim o manda o mesmo cânone 400: «O Bispo diocesano vá a Roma no ano em que está obrigado a apresentar o relatório (do estado da sua Diocese) ao Sumo Pontífice». O cânone n.º 399 estabelece os prazos: «A visita deve ser efectuada de cinco em cinco anos.»
Em segundo lugar não há ofensa na homília do Papa aos bispos. De facto, na Igreja de Cristo não há secretismos, e bem pode suceder que as exortações pontifícias motivem hierarcas e laicado para a dura realidade que o Cristianismo enfrenta no Mundo. O senhor Professor Medeiros Ferreira decerto não nos levará esta nótula a mal. As cartas fechadas são invioláveis; os bilhetes postais nem tanto.
Por fim, e relativamente às Escolas, parece que, amofinados com os fracos resultados, os Conselhos Directivos pretendem subir de escalão, levando os professores a dar notas mais altas aos alunos. Assim, os alunos podem subsistir na ignorância, mas a escola obterá melhor pontuação no ranking.
Admirável sociedade nova. Porque não se há-de falsificar o vinho e botar água no leite?
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

pinharandagomes@gmail.com

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