Não nos compete a nós, organizadores, fazer a avaliação deste Encontro que se realizou no passado dia 24 de Maio no auditório do Centro Cívico «Nascente do Côa» em Foios. Poderíamos pecar por excesso de modéstia ou por alguma falta de objectividade, dado que o mesmo foi preparado e vivido essencialmente com o coração. Contudo, podemos reflectir sobre o acontecimento e é isso que nos propomos fazer aqui.

1.º Encontro de Escritores das Terras de RibacôaCulturalmente, tivemos ocasião de partilhar saberes, de aprender com mestres, de levantar algumas questões e apresentar propostas que, a serem implementadas, muito contribuirão para o desenvolvimento cultural e até mesmo económico da região. Abordou-se o tema «Mentalidades» ou, mais concretamente, «Mudança de mentalidades», problema difícil mas não impossível de atenuar ou mesmo resolver se todos nós dermos o nosso contributo. Temos um passado de solidariedade, de luta e de coragem de que nos orgulhamos. É um facto indiscutível. Mas não podemos continuar a viver esse passado no presente e muito menos a perspectivá-lo para o futuro. A sociedade mudou, teremos que mudar também se quisermos acompanhar a evolução. Falou-se em interioridade e no abandono e esquecimento a que somos votados por parte do Poder Central. Inegável… Mas somos de rija têmpera, nós, os filhos de Ribacôa. Aproveitemos essas qualidades do passado que muito fizeram sem a ajuda do Poder Central que nos ignorou. Continuemos na mesma via e não esperemos eternamente pela ajuda que raramente vem. Adaptemo-nos aos tempos e à nossa realidade geográfica e sociocultural sem copiar modelos que nada têm a ver connosco. Talvez que a ideia da criação de uma Associação de Escritores de Ribacôa, proposta pelo Dr. Pinharanda Gomes no Encontro, seja um factor de mudança das mentalidades já que a mudança passa sempre pela informação e o conhecimento. Oxalá se concretize.
Todavia, o mais marcante do Encontro foi o clima de amizade que se viveu.
A maior parte dos oradores, até 24 de Maio, só era conhecida por nós através das suas obras e alguns contactos formais via email. Chegaram como convidados ilustres, partiram como amigos verdadeiros com a promessa de regressarem. A todos eles o nosso agradecimento profundo pelo belo dia que nos foi dado viver. Bem-hajam, à boa maneira de Ribacôa.
De lamentar apenas a falta de alguns órgãos da comunicação social da região. Talvez estejam connosco num próximo evento. Esperemos que assim seja.
Amélia Rei
(Assessora Cultural do Centro Cívico Nascente do Côa)

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