Estivemos no Soito, à conversa com o presidente da Junta de Freguesia, José António Mendes Matias. Com 41 anos de idade sente o peso da responsabilidade por ter ascendido ao lugar de presidente da Junta em consequência do pedido de demissão do presidente eleito. Porém manifesta-se decidido a fazer obra em prol do Soito e dos soitenses no ano e quatro meses que tem pela frente até ao final do mandato.

José António MatiasA revolta do povo do Soito face à antevisão de encerramento da estação de correios, trouxe o jovem autarca para a ribalta, cabendo-lhe liderar as difíceis negociações com a Administração dos CTT. Os contactos que estabeleceu e as posições que aí defendeu, levam-no a acreditar numa solução digna e justa para o Soito. E nisto sente que não está só. Todo o povo da vila raiana, o presidente da câmara e os eleitos da assembleia de freguesia, têm-no apoiado nos dias difíceis que tem vivido.
– Como correram as negociações com a administração dos CTT?
– As negociações correram bem, tendo sido muito importante o apoio que o povo deu com a exigência de manter o posto aberto. A Dra Manuela de Portugal, em representação da administração dos CTT, colocou os seus pontos de vista e nós colocámos os nossos, abertamente. Por enquanto o horário diário fica com menos duas horas, mas garantimos que a estação abre de manhã e de tarde. A empresa vai realizar um estudo acerca do serviço prestado e se o tráfico de correspondência e os demais serviços o justificarem ficou a promessa de no final de Junho se regressar ao horário normal. Agradeço muito à população a mobilização e a luta, assim como o apoio da Câmara Municipal, pois só assim houve condições para se fazer a negociação.
– Como tem vivido a nova, e certamente inesperada, missão de presidir à Junta de Freguesia?
– Tem sido uma boa experiência. Tenho mantido um diálogo permanente com a população e tenho contado com o apoio de muita gente, mesmo da parte dos membros da Assembleia de Freguesia, que são muito exigentes, mas também demonstram compreensão. Esta manifestação recente do povo do Soito contra o encerramento dos correios ajudou a deixar claro que somos um povo unido, capaz de lutar a uma só voz pelas causas justas e de levar a água ao moinho.
– Quais os projectos que tem para a freguesia neste período de pouco mais de um ano para o termo do seu mandato?
– Queremos construir um parque de merendas. Já temos o projecto concluído e contamos lançar a obra dentro de pouco tempo. Também esperamos construir um ringue para a prática desportiva num terreno da Junta de Freguesia, tendo já propostas e orçamentos que estão em análise. Em Agosto iremos receber aqui o Festival do Forcão, pois já garantimos que a iniciativa vai passar a realizar-se alternadamente entre Aldeia da Ponte e o Soito, compromisso que ficará registado na acta da reunião de preparação do Festival. Também queremos divulgar mais o Soito para que mais pessoas o visitem. No próximo fim-de-semana vamos receber aqui 60 franceses, vindos de Le Porge, cidade com que nos geminámos há uns anos. Vêm aqui para conhecer o Soito e nós vamos mostrar-lhes também todo o concelho do Sabugal, tendo já preparado um roteiro. Aproveitando a ocasião convidámos também para virem ao Soito os alcaldes de Navasfrias e de Hoyos, bem como o presidente da associação de Coria, tendo eles confirmado já a sua presença. Isto é muito importante para o diálogo transfronteiriço que queremos promover.
– Tem mantido contactos com esses autarcas espanhóis?
– Conheci essa gente de Espanha aqui há umas semanas e de uma forma muito curiosa. Estive em Hoyos com o professor Zé Manel, presidente da Junta dos Fóios, para assistir à geminação, eles dizem hermanamiento, entre Hoyos e Saint-Verge, localidade francesa, e reparei que eles não se entendiam quando queriam conversar. Ora como eu conheço bem a língua francesa, ofereci-me para tradutor, tendo ficado muito satisfeitos e acabando por ficar amigo de todos eles. Por isso lhes enviei o convite para virem aqui ao Soito no próximo fim-de-semana.
– E de que forma pensa tirar maior partido dessas relações com os autarcas de Espanha?
Pensamos estabelecer pontes de contacto, seja através de convívios ou através de realizações em parceria, a nível cultural e desportivo, por exemplo. Temos até a ideia de estabelecer um protocolo de geminação entre as freguesias raianas do concelho do Sabugal e as de Espanha, o que pensamos ser melhor do ter apenas relações pontuais a nível bilateral. Todos juntos podemos fazer muito trabalho válido para os povos dos dois lados da fronteira.
– O que pensa o Centro de Negócios Transfronteiriço que está a ser construído no Soito pela Câmara Municipal no local da antiga fábrica da Cristalina?
– É uma boa iniciativa, que certamente contribuirá para o desenvolvimento do Soito e do concelho do Sabugal. Trata-se de uma importante mais valia para nós, que em breve dará os seus frutos.
– Porém, pelo que se sabe, os empresários do Soito ainda não aderiram à ideia de ali se fixarem.
– É natural que de inicio haja alguma resistência, mas não é verdade que os empresários do Soito rejeitem de todo instalar-se no local. Há mesmo já alguns interessados, que estou em crer que em breve decidirão instalar-se ali.
– Com tanta azáfama e tanto empenho enquanto presidente da junta, advinha-se já que será candidato pelo PSD nas próximas eleições autárquicas?
– Sinceramente, nunca pensei nisso, nem quero por agora pensar. Apenas pretendo levar por diante o meu trabalho e isso não me vai perturbar.
plb

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