Vilar Maior – Não é… mas tem todos os atributos necessários para ser considerada uma genuína aldeia histórica. Processos burocráticos impedem que se concretize a justíssima candidatura. A Câmara Municipal do Sabugal delegou na Junta de Freguesia de Vilar Maior autonomia total na execução da renovação das infra-estruturas do espaço público. A verba disponibilizada para a freguesia atinge o invulgar valor de um milhão e quatrocentos mil euros.

Vilar Maior

As obras são sempre chatas. Especialmente quando são levantados pisos dos arruamentos com as inevitáveis poeiras e lamas. O objectivo é enterrar todos os cabos e fios e acabar com os postes de transporte de energia e telecomunicações. As ruas ficam… medievais e recolocam a povoação nos roteiros do turismo histórico e cultural. Mas a aposta na valorização do património obriga a alguns incómodos para quem reside na aldeia histórica de Vilar Maior. O título ainda não está oficializado por motivos burocráticos mas consideramos que a aldeia acastelada já respeita todas as exigências da sua atribuição.
E, claro, postal ilustrado de aldeia histórica que se preze tem um castelo. O castelo de Vilar Maior, datado do século XIII, parece tomar conta da vila que ostenta a data de 1280 na cerca que a defende. A origem do povoado está referenciado, através de vestígios arqueológicos na Idade do Bronze.
Incorporada no território de Ribacôa conquistado ao reino de Leão por D. Dinis teve direito a foral em 17 de Novembro de 1296. A posse definitiva só se concretizou em 1297 com o Tratado de Alcanices que consolidou as fronteiras da região raiana. O contrato obrigou à reedificação dos castelos de Vilar Maior, Sabugal, Alfaiates, Almeida, Castelo Melhor, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo e Pinhel.
Entre 1296 e 1855 foi vila e sede de concelho constitituído pelas freguesias da Malhada Sorda, Nave de Haver, Aldeia da Ribeira, Badamalos, Bismula, Vilar Maior e Poço Velho. Já no século XIX a reforma administrativa acrescentou-lhe Aldeia da Ponte, Forcalhos, Alfaiates, Rebolosa, Seixo do Côa, Vale das Éguas, Ruivós e Valongo.

As estradas da Bismula e de Aldeia da Ribeira encontram-se num entroncamento à entrada da povoação obrigando o viajante a reduzir a velocidade. Um olhar mais atento permite perceber movimentações de máquinas no campo de futebol e o contorno de um edifício de apoio à infra-estrutura. As nossas freguesias vão investindo em bons equipamentos sociais e desportivos. Infelizmente vão faltando as crianças e os jovens que os utilizem.
A estrada segue encosta abaixo rodeada de casas até ao largo central da freguesia incrustada num vale entre a ribeira de Alfaiates e o rio Cesarão que desliza orgulhoso da sua ponte romana. O casario medieval da encosta do Castelo sorri para a fotografia enquanto sente correr por perto o rio Côa.
A visita a Vilar Maior só fica completa com uma conversa com a professora Delfina. Mulher de cultura (e de armas) é uma figura emblemática da freguesia e do concelho a quem ninguém consegue ficar indiferente.
Mas… o nosso objectivo era perceber os melhoramentos e os investimentos em equipamentos sociais na freguesia. A Junta de Freguesia recebeu luz verde da Câmara Municipal do Sabugal para seleccionar as intervenções.
Orçadas em um milhão e quatrocentos mil euros estão em curso grandes obras de melhoramento do visual da aldeia escondendo fios, canos, tubos por debaixo do chão devolvendo uma beleza medieval ao local.
Através da verba de capital foi recuperada a sede da Junta de Freguesia, a Associação local, a escola primária e o espaço Internet.
Por impossibilidade de falar com o presidente da Junta de Freguesia de Vilar Maior, António Bárbara Cunha, ficou por explicar o abandono a que foram votadas, depois de recuperadas, duas casas térreas que já pretenderam ser um museu.

Vilar Maior tem todas as condições para ser uma Aldeia Histórica. A classificação oficial tarda mas a voz do povo tem mais força. Vale a pena (re)visitar a Aldeia Histórica de Vilar Maior.
jcl

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