Aldeia da Ponte – Se dúvidas houvesse sobre a natureza raiana dos de Aldeia da Ponte elas ficam desfeitas quando se avista um estranha parede em pedra granítica que dá forma à Praça de Touros.

Aldeia da Ponte

Quem entra em Portugal pela fronteira de Vilar Formoso e escolhe a direcção do Sabugal, passa pela estação da CP onde a história está contada em azulejos e cruza com a velha locomotiva BA101 da linha da Beira Alta. Silenciosa e imponente descansa agora, resguardada de vandalismos, recordando-nos outros tempos e a importância que o caminho-de-ferro teve no desenvolvimento da nossa região.
Avançando pela estrada nacional 332 com os marcos fronteiriços por companheiros de janela avistamos alguns quilómetros à frente ao desfazer uma curva rápida uma estranha parede granítica no cimo de uma elevação. Alta e circular com portões de dimensões generosas destaca-se do casario e da longa planície que se estende a perder de vista até terras espanholas. Estamos em Aldeia da Ponte cujo nome deriva de uma ponte romana sobre o rio Cesarão classificada de interesse público pelo Instituto de Património Cultural. Terra raiana de encerros e de capeias que se orgulha de possuir uma singular praça de touros. Obra do querer e da vontade das suas gentes incentivadas por António Chorão, reconhecido aficionado da festa brava.
Mas o nosso destino é o equipamento social junto ao longo lameiro onde as peripécias do aviador Raul da Casaca Azul foram descritas de forma superior pelo Esteves Carreirinha nosso companheiro de lides aqui no Capeia Arraiana.
Junto aos ringues de futsal na sede da Associação dos Amigos de Aldeia da Ponte tinhamos à nossa espera o jovem presidente da Junta de Freguesia José Francisco Martins Nabais.
Afável no trato guiou-nos, orgulhoso, pela obra feita e falou-nos das infra-estruturas que os habitantes de Aldeia da Ponte têm ao seu dispor em toda a aldeia.
O complexo desportivo arrancou com uma candidatura da Associação e do Governo Civil da Guarda através da DRAOT-Direcção-Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território e apoiada pela Câmara Municipal do Sabugal.
No final de 2001 a primeira fase do complexo desportivo foi ampliada para o dobro do espaço e passou a incluir os ringues de futebol e os balneários e a sede com bar e salão polivalente.
Em 2004 foi remodelado o piso sintético do ringue de futebol para evitar mazelas e lesões nos craques futebolistas. Encostados à parede da sede entram em jogo na terceira parte os assadores e o balcão de finos e refrigerantes.
«Para concretizar estes objectivos tivemos todo o apoio da autarquia. Aproveitámos a delegação de competências, a transferência das verbas que nos foram destinadas e o acompanhamento burocrático por parte dos serviços camarários. Estas instalações são frequentadas todos os dias e em especial ao fim-de-semana. Temos um professor que vem dar aulas de ginástica duas vezes por semana. Tem alunos de todas as idades e o ambiente é espectacular», diz-nos com satisfação José Francisco Nabais.
«O Bar é explorado pelos mordomos das Festas de Santo António que promovem aqui festas na passagem de ano, baptizados e os bailaricos da festa do Santo Cristo a 13 de Maio», acrescenta o autarca pontense recordando a famosa discoteca improvisada do mês de Agosto onde foram batidos os records de venda de minis no concelho.
Aldeia da Ponte dispõe de um moderno espaço associativo, cultural, desportivo e social muito acolhedor e funcional rodeado pela natureza e a poucos metros da mítica raia.
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Na minha meninice, eu e os meus primos, vinhamos pelos caminhos de terra batida até estes lameiros de Aldeia da Ponte. Atávamos os burros junto à raia e iamos a pé até Albergaria onde comprávamos pão e outros produtos que escasseavam em Portugal. O regresso era mais penoso porque os burros iam carregados com os alforges cheios e nós tinhamos que voltar pelo nosso pé. Um dia de aventuras «adrenalinado» com a sombra dos fantasmas dos guardas-fiscais e dos carabineiros.
jcl