Vamos ter no lugar do Jarmelo no próximo dia 1 de Junho a XXV Feira Concurso do Jarmelo. Modernamente o Jarmelo propriamente dito, já não existe. Apenas sob o ponto de vista administrativo se compõe de pequenos povoados agrupados em duas freguesias nominativas – S. Pedro e S. Miguel – nenhuma delas sendo sede própria.

Vaca JarmelistaSem pretender descrever o que é a Feira Concurso do Jarmelo, apenas nos cabe relembrar que se trata de um acontecimento que remonta ao século XIX. Basta lembrar documentos da época para isto poder ser afirmado sem exagero. Trata-se de um evento com 25 edições pós-25 de Abril e, por curiosidade, tantas como a afamada e apoiada OVIBEJA. Estamos, portanto, perante um acontecimento de raízes e tradições e enraizado face ao futuro.
Nas últimas edições já se notou o esforço de se realizar algo mais do que um concurso, mas dada a escassez de verbas ainda não se concretizou. A junta de freguesia de São Pedro todos os anos tem despesas consideráveis com a Feira, face ao parco orçamento global. Entendemos portanto que esta pode ser mais uma hipótese de não deixar que as oportunidades passem ao lado do Jarmelo e toda a sua região.
É nossa intenção, faz anos, aproveitar um dado importante para qualquer evento: o Público fiel desta feira que está por tradição assegurado. Este dado importante, faz com que não seja necessário um esforço suplementar para atraír público. Se temos povo, temos que lhes oferecer mais… desse mais, pensamos, e queremos, que uma animação de cariz popular seja uma realidade.
Da animação para este evento, sabemos que poderia passar por restaurar eventualmente ambientes de outras feiras e de outros tempos… com a presença de grupos musicais de cariz popular que podessem fazer reviver a estas gentes o tempo que o tempo marcou.
Ainda em paralelo com a feira já é comum, haver exposição de potencialidades da região do Jarmelo, queremos com isto dizer, que o artesanato estará presente, tentando com isso ajudar a promover situações tão peculiares como esta: o Jarmelo tem neste momento o único produtor de tesouras de tosquia do país, temos ainda uns ferreiros que produzem miniaturas de utensílios agrícolas de forma completamente artesanal, ainda as mantas de farrapos.
O programa base deste evento, passa pela recepção dos animais pela manhã, seguida da sua exposição ao público e entrega dos prémios ao fim da manhã; segue-se um almoço com criadores e convidados em que geralmente também participam as entidades oficiais que apoiam a feira; durante a tarde segue-se uma garraiada aberta gratuitamnete ao público.
Para a edição deste ano, gostaríamos que as entidades desconcentradas do estado (DRAPC–Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro e DGV–Direcção-Geral de Veterinária), formassem connosco voz no sentido de realmente se salvaguardar o legado histórico da carga genética das raças jarmelistas – vacas, cabras e ovelhas.
Querendo incentivar e reforçar fortemente a vaca jarmelista, urge que medidas de excepção sejam verdadeiramente colocadas em campo, de forma a que não sejam os anos a passar irremediavelmente para o abismo (num animal em vias e de extinção, qualquer dia pode ser o último…).
Urge, entre as medidas de excepção, que sejam atribuídas cotas aos animais que vão nascendo, provenientes do projecto global. Urge que se parta a todo o vapor para a inseminação «in vitro» e posterior implantação em «barrigas de aluguer», para que em 2013 (fim da «mama» comunitária) estejamos com um número de efectivos suficientes que a raça possa ser rentável em termos de mercado da carne, abastecendo um mercado de consumo da carne jarmelista, que terá que se criar.
Um abraço daqui destas terras do Jarmelo.
Agostinho Silva