Este homem, se fosse tão bom treinador de futebol, como o é na arte política, teria um «caché» invejável e atrevia-me a classificá-lo de «number one» no «ranking» dos autarcas do nosso concelho e quiçá dos melhores do nosso País.

Joaquim Ricardo («Ideias Soltas»)Se me for permitido usar a expressão «missionário» usá-la-ei para apelidar um homem, que dedicou uma grande parte da sua vida, servindo a causa autárquica e ao serviço do seu povo: Ajudando-o, colocando todo o seu saber e, por que não dizê-lo, influência pessoal e política para trazer para a sua terra tudo o que é possível trazer para desenvolver toda a actividade cultural, turística e económica da sua terra. Está na política activa, vai para três décadas e não espera (nem pensa) deixar tão cedo esta actividade. Exerce-a não porque dela precise para daí retirar qualquer proveito financeiro, disso tenho a certeza! Exerce-a como um sacerdote ou melhor como um «missionário» exerce a sua actividade ao serviço dos outros, sem qualquer interesse financeiro. Este homem, de que tenho vindo a referir-me é, como não podia deixar de ser, o Professor José Manuel.
É um político reivindicativo. Usa todos os argumentos ao seu dispor para conseguir travar o isolamento da aldeia. É que, diz-me: «Não haveria foz do Côa se não houvesse nascente, e esta temo-la nós?» E prossegue o professor: «Esta terra fica no calcanhar do mundo», ou mais correntemente «no cu de judas» – Ninguém vem aqui de passagem para uma grande cidade. Quem aqui vem, vem porque quer! Vem de propósito.
José Manuel Campos e Joaquim Ricardo nos FóiosCom o seu trabalho tem conseguido manter, há mais de três décadas, uma população de quatro centenas de habitantes, desafiando assim a lógica instalada no interior do nosso país, que luta desesperadamente contra a desertificação das suas aldeias. Ali, nos Fóios, sente-se muita actividade económica, cultural e turística.
Em termos turísticos mantém com os seus vizinhos espanhóis um relacionamento «irmão» com visitas ao lado de cá com muita frequência e possibilita aos três restaurantes ali instalados a confecção de centena e meia de refeições só aos Domingos que fazem inveja aos da cidade do Sabugal, sede do concelho.
Em termos culturais, mantém durante todo o ano um invejável cartaz de iniciativas, que vão desde palestras com escritores do concelho; serões com peças de teatro; cinema e outras que mantêm a aldeia viva. E, claro, no Verão são já célebres as «capeias» e as «largadas» de toiros ali realizadas.
A actividade ligada à terra é também muito intensa. Nos pastos do baldio, pastam cerca de 400 cabeças de vacas, cujos proprietários para ali as deixam à sua mercê! O número de cabeças de cabras é de mais de 200 e são responsáveis pela produção de um delicioso queijo que, a par da produção de 200 toneladas de castanha permitirá, para breve a criação de uma espécie de cooperativa local para regular e facilitar a sua comercialização – assegura-me o professor, como sendo este um dos seus próximos sonhos a realizar. Por outro lado, pretende construir uma pequena barragem, num afluente do rio Côa, para poder regular o seu caudal e assim acudir à produção de trutas, pois na estação do Verão por vezes a água no rio escasseia – prossegue.
Enfim, os projectos para a aldeia desenvolvem-se na cabeça deste autarca a um ritmo alucinante e ainda não tem terminado um, já outro tem início. Este homem, se fosse tão bom treinador de futebol, como o é na arte política, teria um «caché» invejável e atrevia-me a classificá-lo de «number one» no ranking dos autarcas do nosso concelho e quiçá dos melhores do nosso País.
«Ideias Soltas», opinião de Joaquim Ricardo

dr_jfricardo@hotmail.com

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