Abordámos no último escrito, a Ronda dos rapazes em 1923, num dia de pagamento do vinho, que derivou em tragédia, conforme tivemos oportunidade de constatar. No tiroteio, para além das mortes, vários rapazes foram baleados, tendo um deles sido atingido numa perna, ficando a bala alojada na dita cuja, durante 58 anos.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaO jornal «A Ponte» publicou uma entrevista com o «jovem rapaz», que também lá esteve na Ronda dessa noite, sendo um dos bafejados pela sorte, ganhando uma bala na perna, que se conservou por ali, durante largos anos, sem que nesses anos todos incomodasse o portador.
No seu dizer, à época, foi levado ao Hospital da Guarda, sentindo que a bala tinha entrado mas não tinha saído, pelo que lá continuaria. Nessa altura, a bala não foi detectada pelos médicos e, como não o incomodasse por aí além, lá a deixou repousar tranquilamente, sentindo sempre, que por lá se conservava.
Passados estes largos anos, o organismo cedeu e começou a reparar que no local da perna onde a bala entrou, de repente, apareceu uma ferida. Os vários tratamentos não conseguiam cicatrizar a ferida, sendo enviado ao Hospital do Sabugal, para uma consulta, tendo os médicos detectado a bala na perna, com a ajuda de uma radiografia.
Através de uma pequena cirurgia, facilmente lhe foi retirada, finalmente, a bala alojada na perna, já um pouco deteriorada, a qual foi, religiosamente, guardada em casa, embebida num frasco de álcool, para recordação.
Como acabamos de constatar, este episódio da Ronda trouxe ao nosso «jovem rapaz» o inesperado presente, que só ao fim de todos estes anos foi detectado, quando já perfazia cerca de 80 anos de idade, fazendo relembrar a noite da morte dos rapazes, naquele longínquo ano de 1923.
O Ti Manel Maria Sanches escapou da morte, nessa noite, «ganhando» uma lembrança na perna, mas antes isso, do que ter perecido no local, para sua sorte, que não acompanhou os que tombaram baleados, desafortunadamente, no Largo do Sagrado, mesmo ao lado da Igreja Matriz.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

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